AccueilPós-colonialismos e cidadania global

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Publié le mardi 15 novembre 2011 par Marie Pellen

Résumé

"Pós-Colonialismos e Cidadania Global" é um dos programa de doutoramento do Centro de Estudos Sociais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal). O Programa de Doutoramento inclui atividades abertas ao público em geral, como é o caso das conferências e exposições.

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Seminários do Programa de Doutoramento "Pós-Colonialismos e Cidadania Global"

O programa centra-se nas heranças coloniais e nos desafios pós-coloniais contemporâneos, concebendo estes últimos como um ângulo privilegiado para analisar o mundo de hoje, um mundo crescentemente interligado e multi-polarizado. Uma atenção particular é dada ao estudo das relações  geradas pelo encontro colonial no espaço de lí­ngua oficial portuguesa e os especí­ficos desafios que delas decorrem. O programa estimula a análise das problemáticas da cultura, tradução e interculturalidade, da raça, racismo e anti-racismo, do neo-colonialismo, regionalização e globalização, do Estado pós-colonial, direitos e sistemas de justiça, das relações entre saber e poder, das  hegemonias e contra-hegemonias. A formação levada a cabo neste programa é transdisciplinar, conjugando
contribuições da antropologia, sociologia, ciência política, estudos culturais, studos literários, história, etc. O objectivo último do programa é  desenvolver o conhecimento e a formação universitários que permitam ampliar as possibilidades do diálogo intercultural".

O Programa tem como horizonte epistémico a discussão das  possibilidades de construção de um novo saber mais amplo, plural e híbrido,  reflectindo a multi-situacionalidade das suas origens. Ou seja, sem negar a  importância da ciência moderna, o desafio deste Programa centra-se na proposta  de criação de um conhecimento solidário, ou seja, de um conhecimento  contextualizado, que permita desenvolver paradigmas endógenos, que articulem  saberes heterogéneos. Esta será a chave para o desenvolvimento sustentável,  permitindo, simultaneamente, superar as injustiças cognitivas e fundar alianças  consistentes e equitativas entre investigadores do 'Norte' e do 'Sul'.     

De facto, a expansão colonial não se ficou apenas pelos campos  económico e político. E muito menos terminou com o fim dos impérios coloniais.  Por isso importa avaliar no conjunto como é que este 'Sul' foi e continua a ser  afectado por este processo de colonização, por forma a lançar as bases de um  novo paradigma científico, onde os diferentes saberes terão lugar, todos eles  possivelmente relacionados e legitimados por quem a eles recorre e os consagra  como forma de poder. Neste Programa, a análise da configuração dos campos de  saber é usada para detectar a persistência da 'colonialidade' enquanto forma de  poder, recorrendo a uma análise mais rigorosa de algumas áreas de controvérsia,  como é o caso das teorias do Estado e do Direito, dos saberes, da constituição  de cidadanias,
através de conflitos sobre o desenvolvimento, etc.     

O Programa procura captar dois momentos centrais: a relação  hegemónica entre as experiências e o que nestas está para além dessa relação. É  neste duplo movimento que as experiências sociais se oferecem a relações de  inteligibilidade recíproca que não redundem na canibalização de umas por  outras. Daí a centralidade do conceito de tradução. O trabalho de tradução  incide tanto sobre os saberes como sobre as práticas (e os seus agentes). A  tradução entre saberes assume a forma de uma hermenêutica  diatópica, permitindo a criação de pontes interpretativas entre  duas ou mais culturas com vista a identificar preocupações isomórficas entre  elas e as diferentes respostas que fornecem para elas. Em suma, este Programa procura constituir-se como um espaço reflexivo de aprendizagem sociológica aplicada sobre a complexa realidade  social presente no mundo, e um horizonte alargado de debate e apuramento  teórico, metodológico e técnico sobre as matérias nele em
questão.

Coordenação científica

  • Boaventura de Sousa Santos
  • António Sousa Ribeiro       

Coordenação executiva           

  • Margarida Calafate Ribeiro  
  • Maria Paula Meneses      

5 de Janeiro de 2012 

Political and Religious Challenges Facing European Muslims

Tariq Ramadan possui um Mestrado em Filosofia e Literatura Francesa e um Doutoramento em Estudos Árabes e Islâmicos pela Universidade de Genève. Recebeu formação pessoal em Estudos Clássicos Islâmicos de Professores da Universidade Al-Azhar, no Cairo.  

É Professor de Estudos Islâmicos Contemporâneos na Universidade de Oxford (Oriental Institute, St. Antony’s College) e na Faculdade de Teologia de Oxford. Simultaneamente desempenha funções de Professor Visitante no Qatar (Faculdade de Estudos Islâmicos) e em Marrocos (Mundiapolis), bem como de Senior Research Fellow na Universidade de Doshisha (Kyoto, Japão).

Os seus escritos e conferências têm contribuído substancialmente para o debate em torno de temas islâmicos contemporâneos, do revivalismo Islâmico no mundo e ainda dos Muçulmanos na Europa. Tariq Ramadan tem uma intervenção não só académica, mas também social, realizando conferências sobre teologia, lei e jurisprudência Islâmicas, ética aplicada, filosofia justiça social, economia, política e diálogo entre confissões, no seio das comunidades. Actualmente é Presidente da European Muslim Network (EMN), um “European think tank” sedeado em Bruxelas.

Os comentários serão efectuados por José Manuel Pureza (CES/FEUC) estando a moderação a cargo de Teresa Toldy (CES/U. Fernando Pessoa/Porto).

NOTA: A conferência de Tariq Ramadan será proferida em inglês (sem tradução)

29 de Fevereiro de 2012 

As revoluções no mundo árabe

14h30, Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra

Benjamin Stora (Universidade de Paris-13)

[http://www.univ-paris13.fr/benjaminstora]

é historiador e professor associado da Universidade Paris-13. Lecciona também na INALCO (Institut National des Langues et Civilisations Orientales) e no Institut d’Études Politiques, Paris. Foi fundador e é director científico do Institut Maghreb-Europe.

É membro do Laboratoire Tiers Monde-Afrique do CNRS, e membro do Centre of Sociology of Knowledge (Universidade Paris-VII).

Os seus temas de investigação são a história do colonialismo francês dos séculos XIX e XX, as guerras pela descolonização, a(s) memória(s) da  Guerra da Argélia, e a história da imigração magrebina para a Europa.

É autor de vários livros, de que destacamos: Le «89» Arabe, Réflexions sur les révolutions en cours (Éditions Stock, 2011); Guerres des mémoires. La France face à son passé colonial (Éditions de l’Aube, 2007); The 100 Doors of Maghreb (L’Atelier, 1999); e Le Transfer d’une Mémoire. De l’«Algérie française» au racisme antiarabe (La Découverte, 1999).

A aula terá lugar em francês e será traduzida para português.

Exposição
Os Africanos em Portugal: História e Memória (séculos XV-XXI)     

9 a 23 de Fevereiro de 2012, Biblioteca Joanina, Universidade de Coimbra

Inauguração da exposição dia 9 de Fevereiro, pelas 15h00, com a presença de Isabel Castro Henriques.

Enquadramento

As relações de Portugal com outros homens, outras culturas, outros mundos constituem uma questão incontornável para o estudo da construção da nação, da estruturação das identidades, da compreensão do que somos enquanto portugueses de ontem e de hoje. A África e os africanos ocupam um lugar central nesta problemática, pela longa duração dos contactos, pela natureza das formas relacionais, pela forma da sua presença no imaginário português.

A presença africana em Portugal difere de qualquer outra: se romanos e árabes deixaram vestígios reveladores dos seus projectos políticos, que os levaram a organizar operações colectivas, a utilizar exércitos, a colonizar os territórios, a maioria dos africanos não vieram de livre vontade, mas capturados ou comprados em África, para serem desembarcados como escravos no extremo ocidental do fragmento ibérico da Europa.

Despojados de tudo, esses homens, mulheres e crianças deixaram vestígios seculares através do país: se a sua visibilidade parece reduzida, pois não são eles nem monumentos, nem objectos de "arte': nem formas materiais, encontram-se de maneira significativa na densidade da participação africana na sociedade portuguesa: no trabalho, na produção,
na Língua, na religião, na festa, na música e na dança, no corpo e na sexualidade, na toponímia, na imaterialidade dos nossos quotidianos. A história e a memória revelam-nos as suas marcas contidas, de forma estruturante, na constante reconstrução de Portugal.


A exposição é apresentada em vários painéis compostos por textos e fotografias relativas aos sete temas:

1 - Africanos: Uma nova mercadoria (séc. XV- XVI)

2 - Bairro do Mocambo em Lisboa

3 - A Integração dos Africanos (séc. XVI- XIX)

4 - A desumanização dos Africanos

5 - Estratégias Africanas

6 - Permanências e Mudanças (séc. XVIII- XX)

7 - Novas Dinâmicas Africanas (Depois de 1974)

O Comité Português da UNESCO “A Rota do Escravo” assumiu a edição e o apoio da exposição. Contou também com os apoios do ACIDI (Alto Comissariado para a Integração e Diálogo Intercultural),a Fundação Calouste Gulbenkian, a FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia), a Fundação Portugal Africa, o IPAD, e a UCCLA (União da Cidades Capitais
de Língua Portuguesa).

Lieux

  • Colégio S. Jerónimo (CES)
    Coimbra, Portugal

Dates

  • mercredi 29 février 2012
  • jeudi 05 janvier 2012

Contacts

  • Programa de doutoramentos
    courriel : doutoramentos [at] ces [dot] uc [dot] pt

URLS de référence

Source de l'information

  • Marta Maia
    courriel : martamaia72 [at] yahoo [dot] fr

Pour citer cette annonce

« Pós-colonialismos e cidadania global », Séminaire, Calenda, Publié le mardi 15 novembre 2011, http://calenda.org/206167