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Vias para a revitalização do sindicalismo

A utilização das TIC pelos sindicatos portugueses

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Publié le lundi 12 décembre 2011 par Marie Pellen

Résumé

Conferência: Sindicatos e as TIC, no auditório B203, edifício 2 do ISCTE-IUL, Lisboa (Portugal), dia 13 de dezembro de 2011, às 9h00. Entrada livre.

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Apresentação

Desde a década de 70 que a generalidade dos movimentos sindicais dos países desenvolvidos tem vindo a enfrentar tempos difíceis (Chaison, 1996), o que originou um refluxo dos seus efectivos e uma perda da sua influência (Visser, 2006). Tentando ultrapassar esta situação, as organizações sindicais vêm empreendendo um conjunto de estratégias diversificadas. Entre elas contam-se a adopção das tecnologias de informação e comunicação (TIC).

De acordo com o Ad-Hoc Committee on Labor and the Web (1999) ou com
Pinnock (2005), os sindicatos só muito tardiamente reconheceram o potencial destas tecnologias, onde englobamos todos os dispositivos de base electrónica que permitem armazenar, tratar e difundir informação. Mas as vantagens competitivas que oferecem, baseadas na rapidez e na flexibilidade, impeliram-nos a utilizá-las, o que vêm fazendo de modo crescente, com alguns estudos a revelarem um impacto muito relevante nas questões organizativas e mais mitigado na eficácia geral dos sindicatos (Fiorito et al., 2002). Por outro lado, se as TIC se encontram amplamente difundidas no mundo sindical, não deixam de se registar diferenças significativas quanto à sua utilização e às áreas da actividade sindical onde são aplicadas (Fiorito et al., 2000, 2002).

Estas tecnologias podem ser usadas pelos sindicatos em múltiplas áreas e com múltiplos objectivos. Na produção e difusão de informação própria e na esquisa de informação necessária às suas actividades (Fiorito et al., 2000, 2002; Peter, 1997); na realização de campanhas de recrutamento (Hendrickson, 1998) ou no apoio às tarefas organizativas e de negociação (Fiorito e Bass, 1999). Podem concorrer igualmente para aprofundar a participação dos trabalhadores na vida das suas organizações (Diamond e
Freeman, 2002; Greene e Hogan, 2001; Greer, 2002; Lucore, 2002), para mobilizar os trabalhadores para a acção colectiva e mobilizar a opinião pública no apoio aos sindicatos e aos trabalhadores durante os conflitos laborais (Diamond e Freeman, 2002; Shostak, 2002), com Peter (1997) a notar a emergência de cyberstrikes. Podem constituir ainda uma importante plataforma para a educação e a formação dos trabalhadores e dos militantes sindicais através do e-learning (Bélanger, 2001; Sawchuck, 2001) ou para o incrementar da coordenação e da solidariedade no interior de um movimento sindical nacional ou entre movimentos sindicais (Lee, 1996, 1999), bem como para o estabelecimento de pontes entre o movimento sindical e outros movimentos sociais, a “solidariedade externa” de que falam Levésque e Murray (2003).

Alguns autores vão mais longe e defendem mesmo que as TIC não só têm um impacto significativo nos resultados dos sindicatos, como contribuem para a sua transformação qualitativa. Novas formas sindicais estarão mesmo a emergir, designadas por Cyber Unions (Shostak, 1999, 2002), por E-unions (Darlington, 2000) ou ainda por Open-source unionism (Freeman e Rogers, 2002). Pinnock alerta, contudo, para que a sua materialização depende da adopção pelos sindicatos de uma estratégia que lhes permita retirar todas as potencialidades das TIC; caso contrário a realidade será a dos Cyber Void.
Esta perspectiva encontra-se muito frequentemente imbuída de um fascínio
pelo “admirável mundo novo” das tecnologias da informação e da comunicação. Os maiores defensores do sindicalismo cibernético olvidam os processos sociais que se encontram subjacentes à utilização das TIC e pressupõem que estas podem substituir eficazmente a presença sindical nos locais de trabalho, não se registando qualquer menção aos problemas advenientes de um seu eventual desaparecimento.

Contrariamente a esta perspectiva, consideramos que o investimento neste
tipo de tecnologias, se não for enquadrado numa estratégia de reforço da organização sindical que passa pelo recrutamento de novos associados, pela presença física dos sindicatos junto dos trabalhadores, pela melhoria da ligação entre os sócios e os sindicatos e pela mobilização dos trabalhadores, pode comportar muito mais problemas do que aqueles que eventualmente resolveria.

Isto não significa, todavia, que o uso criativo das TIC por parte dos sindicatos não seja de grande utilidade nos vários domínios considerados ou que se menosprezem as acções de “hacker-activism” ou de mobilização via Internet ou SMS de que já há vários exemplos, muitos dos quais bem-sucedidos.

Alguns estudos realizados nos últimos anos em Portugal (Alves et al., 2011;
Rego et al., 2010a, b; Rosa, 2005) vêm evidenciando, contudo, que os sindicatos portugueses não estarão a retirar todas as potencialidades da utilização das TIC.

A presente conferência pretende constituir-se como um espaço de reflexão conjunta envolvendo especialistas em TIC, investigadores em ciências sociais e militantes sindicais e tem como objectivo primordial compreender até que ponto e de que modo os sindicatos portugueses estão a utilizar estas tecnologias. Neste contexto, torna-se relevante debater e responder a um conjunto de questões centrais, as quais orientarão a reflexão: como é que os militantes sindicais se posicionam face à revolução tecnológica protagonizada pela micro-informática? Que processos sociais se encontram subjacentes e influem no modo como os sindicatos portugueses utilizam as TIC? Quais são os principais constrangimentos que os sindicatos enfrentam no que concerne à utilização destas tecnologias? Que limitações em termos de utilização resultam desses processos sociais e dos constrangimentos? Que exemplos de boas práticas poderão ser mobilizados?

Programa

10:15 – Os sindicatos e as tecnologias: a adopção das TIC pelos sindicatos Portugueses

Paulo Alves (DINÂMIA’CET-IUL)

Manuel Correia (CEIS20)

João Areosa (CICS)

10:35 – A informação e a propaganda sindical nos novos cenários multimédia

Deolinda Machado (CGTP-IN)

11:00 – Coffee-break

11:20 – Os sindicatos no mundo tecnológico. Novas oportunidades – Novos equilíbrios

Paula Bernardo (UGT)

11:40 – Dinâmicas comunicacionais dos sindicatos num mundo em mudança: a estratégia de utilização das TIC pela ASPL

Valentino Alves (ASPL)

12:00 – Comentário e Debate

13:00 – Intervalo para almoço

14:30 – O impacto das TIC na comunicação sindical: o caso da CGTP-IN

Fernando Fidalgo (STRUP/CGTP-IN)

José Manuel Marques (STAL/CGTP-IN)

Luís Gonçalves (FETESE)

Ulisses Garrido (ETUI)

14:50 – Como aumentar a eficácia da comunicação sindical

Eugénio Rosa (CGTP-IN)

15:10 – Análise comparativa dos websites dos sindicatos portugueses e ingleses do sector público

Raquel Rego (SOCIUS-ISEG/UTL)

Paulo Marques Alves (DINÂMIA’CET-IUL)

Jorge Silva (SOCIUS-ISEG/UTL)

15:30 – Comentário e Debate

Lieux

  • Av. das Forças Armadas (ISCTE-IUL)
    Lisbonne, Portugal

Dates

  • mardi 13 décembre 2011

Contacts

  • DINÂMIA/CET-IUL ~
    courriel : dinamia [at] iscte [dot] pt

URLS de référence

Source de l'information

  • Marta Maia
    courriel : martamaia72 [at] yahoo [dot] fr

Pour citer cette annonce

« Vias para a revitalização do sindicalismo », Journée d'étude, Calenda, Publié le lundi 12 décembre 2011, http://calenda.org/206530