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Memórias de tanta guerra

Guerras coloniais, guerras de libertação, guerras civis em Angola e Moçambique

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Publié le mardi 22 mai 2012 par Marie Pellen

Résumé

No espaço de cerca de trinta anos Angola e Moçambique viveram duas guerras praticamente sucessivas. A memória recente de angolanos e moçambicanos, e dos seus escritores e poetas em particular, está povoada por um quotidiano atingido pela guerra, nas suas várias e violentas vertentes e configurações. Este Encontro oferece uma reflexão sobre estas memórias e estas heranças a partir de testemunhos, análises de ensaios, diários e obras literárias.

Annonce

Enquadramento

No espaço de cerca de trinta anos Angola e Moçambique viveram duas guerras praticamente sucessivas. A primeira que se configura como uma Guerra de Libertação (1961-1974; 1964-1974) envolvendo as forças armadas coloniais portuguesas e várias frentes nacionalistas em Angola e uma frente nacionalista em Moçambique, criou as condições para a independência nacional a que se seguiu a revolução socialista. A segunda, de natureza difusa, difícil de classificar e de designar por um nome consensual, mas ainda filha não só da primeira, como também de todo o contexto da Guerra Fria e do Apartheid da vizinha África do Sul, devastou os territórios angolano e moçambicano ao longo de décadas, tendo começado ainda na década de 1970. Em Moçambique durou até 1992, altura da assinatura de um acordo de paz que criou condições para as mudanças no país, rumo ao multipartidarismo e à democracia e em Angola, oficialmente terminou em 2002, após a morte de Jonas Savimbi, líder da UNITA. Assim, a memória recente de angolanos e  moçambicanos, e dos seus escritores e poetas em particular, está povoada por um quotidiano atingido pela guerra, nas suas várias e violentas vertentes e configurações. Este Encontro oferece uma reflexão sobre estas memórias e estas heranças a partir de testemunhos, análises de ensaios, diários e obras literárias.

Organização:

  • José Luandino Vieira,
  • José Luis Cabaço,
  • Laura Cavalcante Padilha
  • Rita Chaves

PROGRAMA

24 de maio de 2012

Sala 1, CES-Coimbra

10h00-10h15 | Abertura: Margarida Calafate Ribeiro (CES)

10h15-12h00 | Sessão 1: Memória Falada das Guerras

Moderação: Margarida Calafate Ribeiro

  • Violência, Nacionalismo e Identidade - reflexão sobre uma experiência vivida | José Luís Cabaço (Universidade Técnica de Moçambique)
  • Título a designar | José Luandino Vieira (escritor angolano)

12h00-12h30 | Debate

14h00-16h00 | Sessão 2: Outras memórias da Guerra

Moderação: Roberto Vecchi (Universidade de Bolonha)

  • Do silêncio à construção de uma memória feminina das guerras em África | Laura Cavalcante Padilha (Universidade Federal Fluminense)
  • A representação do espaço: impasses e opções narrativas | Rita Chaves (Universidade de São Paulo)

16h00-16h30 | Debate

NOTA: Atividade organizada pelo programa de doutoramento ‘Pós-Colonialismos e Cidadania Global’ e pelo projeto 'Mulheres Portuguesas e os Movimentos de Libertação em África'.

Notas biográficas:

José Luandino Vieira nasceu em Portugal, mas logo em criança foi para Angola. Passou a infância e a juventude em Luanda, onde fez o ensino secundário. Desde cedo envolveu-se em movimentos de questionamento da situação colonial, tendo sido preso em 1959, sendo depois libertado. Em 1961, foi de novo preso por envolvimento com o movimento de libertação e condenado a 14 anos de prisão e medidas de segurança, tendo passado mais de oito anos no campo do Tarrafal. Em 1965 viu o seu livro Luuanda premiado pela Sociedade Portuguesa de Escritores. O escândalo foi enorme e de imediato a associação foi fechada e o júri preso. Em 1972, passou a regime de residência vigiada em Lisboa.

Tornando-se cidadão angolano após a independência de Angola. Foi nomeado para diversos cargos, assumindo um papel importante no meio cultural angolano, nas áreas da televisão, do cinema e principalmente da literatura, como criador e como secretário-geral da União de Escritores Angolanos.

O seu trabalho literário marca profundamente a literatura angolana e as literaturas africanas de língua portuguesa, destacando-se A Cidade e a Infância (1957); A Vida Verdadeira de Domingos Xavier (1961); Luuanda (1963); Vidas Novas (1968); Velhas Estórias (1974); Nós, os de Makulusu (1975); João Vêncio: Os Seus Amores (1979); Kapapa: Pássaros e Peixes (1998); Nosso Musseque (2003); Livro dos rios: De Rios Velhos e Guerrilheiros I (2006) e O livro dos guerrilheiros: De rios velhos e guerrilheiros II (2009) entre outros.

José Luís Cabaço é reitor da Universidade Técnica de Moçambique (UDM). É doutor em Antropologia Social pela Universidade de S. Paulo. Participou na luta de libertação de Moçambique e, após a independência, assumiu diversas responsabilidades no governo e em instituições políticas até se retirar do serviço público em 1992.

É professor titular da Universidade Politécnica de Moçambique e pesquisador associado da Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, onde é membro do Centro de Estudos Afro-Asiáticos. Foi professor convidado da Universidade Federal do Rio de Janeiro e na Universidade de São Paulo.

É autor de capítulos de livros editados em Moçambique, Áustria e Brasil, tem publicado artigos em ciências sociais, cultura, comunicação, política e cooperação internacional, com especial foco no contexto moçambicano e regional de Moçambique, Brasil, Zimbabwe, Itália, Portugal, Áustria e Estados Unidos. É autor de um livro seminal sobre Moçambique, Moçambique: Identidades, Colonialismo e Libertação (2009), publicado em Moçambique e no Brasil.

Laura Cavalcante Padilha é professora emérita da Universidade Federal Fluminense. É doutorada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em Literaturas de Língua Portuguesa, pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (BR) e investigadora associada do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Foi Presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras, Vice-presidente da Associação Brasileira de Literatura Comparada, Diretora da Faculdade de Letras da Universidade Federal Fluminense, e da editora da mesma universidade. É hoje um dos nomes internacionalmente mais considerados na área de literaturas africanas e de literaturas africanas de língua portuguesa em particular, com publicações seminais na área.

Para além de inúmeros artigos científicos e capítulos em livros, Laura Cavalcante Padilha é autora de Novos Pactos, Outras Ficções: Ensaios sobre literaturas afro-luso-brasileiras (2001) e de Entre Voz e Letra: A Ancestralidade na Literatura Angolana (1995), ambas com edição portuguesa pela Imbondeiro. Organizou com Margarida Calafate Ribeiro Lendo Angola (2008), e com Inocência Mata Mulher em África: Vozes de uma margem sempre presente (2007), A Poesia e a Vida: Homenagem a Alda Espírito Santo (2006) e Mário Pinto de Andrade: um intelectual na política (2001).

Rita Chaves é doutorada em Letras (Letras Clássicas) pela Universidade de São Paulo (1993). Atualmente é Professora da Universidade de São Paulo e da Universidade Cândido Mendes. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Outras Literaturas Vernáculas, atuando principalmente nos seguintes temas: Angola, romance, identidade, tradição oral, História e estética.

Para além de inúmeros artigos científicos e capítulos em livros, de entre as suas publicações destacam-se os livros de autor Marcas da diferença (2006), Angola e Moçambique: experiência colonial e territórios literários (2005), Angola e Moçambique: o lugar das diferenças nas identidades em processo (2001) e os livros coorganizados Mia Couto: o desejo de contar e de inventar (2010, com Fernanda Cavacas e Tânia Macedo), Literaturas de língua portuguesa: Marcos e Marcas – Angola (2007, com Tânia Macedo), A kinda e a missanga: Encontros Brasileiros com a Literatura Angolana (2007, com Tânia Macedo e Rejane Vecchia) e Portanto... Pepetela (2002, com Tânia Macedo).

Lieux

  • Colégio de S. Jerónimo (CES - Universidade de Coimbra)
    Coimbra, Portugal

Dates

  • jeudi 24 mai 2012

Contacts

  • CES #
    courriel : ces [at] ces [dot] uc [dot] pt

Source de l'information

  • Marta Maia
    courriel : martamaia72 [at] yahoo [dot] fr

Pour citer cette annonce

« Memórias de tanta guerra », Journée d'étude, Calenda, Publié le mardi 22 mai 2012, http://calenda.org/208598