AccueilSeminário CRIA 2012/2013

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Publié le mardi 19 février 2013 par Marie Pellen

Résumé

Estes seminários destinam-se principalmente aos investigadores integrados do CRIA e têm como objetivo central a partilha e discussão dos resultados parciais das investigações. Contempla-se também a presença de convidados nacionais e internacionais. As sessões realizam-se num dos polos institucionais do CRIA e são abertas ao público.

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Lisboa

8 de Outubro de 2012

O Cuidado em situações de crise: entre o Estado providência e as relações interpessoais

Antónia Pedro Lima (CRIA-IUL)

As ciências sociais têm utilizado o conceito de cuidado para abordar o tratamento de situações de privação por vias que incluem a provisão do Estado aos cidadãos. Porém, na existência relacional quotidiana, cuidado é referido para descrever processos e sentimentos entre pessoas que cuidam umas das outras em várias dimensões da vida social e que não se encontram necessariamente em situações de carência.

Portugal atravessa uma situação de crise económica e social (índices crescentes de desemprego, baixos rendimentos familiares, população imigrante significativa, população idosa) que aumenta a pressão sobre os serviços sociais. Confrontadas com a diminuição da capacidade dos sistemas estatais de cuidado continuarem a providenciar este apoio, as pessoas (re)tomam vias informais para lidar com o problema. Evitando uma visão harmoniosa dos sistemas sociais de cuidado, esta comunicação debaterá, etnograficamente, o modo como as práticas informais suportam a economia nacional, como as pessoas se integram em sistemas formais e informais de cuidado e como estas estratégias são eficazes para sobreviver a um sistema em falência. Defendo que o cuidado interpessoal é decisivo para enfrentar situações de crise (económica, pessoal ou politica) e, nesse sentido é um factor de sustentabilidade.

29 de Outubro de 2012

Film as comrade-in-arms. Image, Drama and Identity in the Hã-Hã-Hãe Struggle for Recognition

Peter Anton Zoettl (CRIA-IUL)

The seminar reflects on the relation of “drama”, “image”, “identity” and anthropological writing, based on the case of the Hã-Hã-Hãe indigenous people from north-eastern Brazil. Drama is discussed as a genre that provides the basis not only for the filmic representation of an aspect of the Hã-Hã-Hãe’s struggle for recognition, but the Indians’ “story” itself – and its anthropological discussion.

5 de Novembro de 2012

Feiras, feirantes ciganos e a retórica do "produto nacional"

Micol Brazzabeni (CRIA-IUL)

Tendo como ponto de partida os argumentos e as sugestões teóricas de Richard Bauman (2008), acerca da existência, no âmbito de mercados e feiras, duma economia performativa representada pelos pregões, pelos gritos, pelas diferentes formas de publicidade oral dos feirantes, sugiro que estes sejam considerados como fenómenos económicos quer dum ponto de vista teórico quer metodológico. Esta abordagem, de facto, oferece uma perspectiva interessante ao se considerarem os mercados e as ferias como modernas performances culturais e como eventos rituais fortemente marcados do ponto de vista simbólico.

Baseada na minha pesquisa actual em quatro feiras da Área Metropolitana de Lisboa com feirantes portugueses ciganos, esta apresentação visa, em primeiro lugar, recriar as paisagens sonoras das feiras e, em segundo lugar, analisar os pregões como performances do que eu chamei "a retórica do produto nacional", considerando os usos estratégicos e comerciais de conteúdos ligados à esfera da economia numa específica conjuntura política, social e económica. Portugal tem sido conotado por uma crise financeira muito profunda marcada pela sua inclusão entre os países chamados PIIGS por parte da imprensa internacional económica. Nas feiras, os feirantes ciganos ironicamente utilizam discursos políticos, morais e retóricos que apelam para que os clientes invistam na compra de produtos nacionais, como uma forma de proteccionismo económico em tempo de crise, muitas vezes desacreditando os produtos vendidos nas lojas chinesas, onde alguns deles costumam se abastecer.

Em particular, quatro elementos estimularam a minha observação e análise: os pregões são uma presença consistente e constante nas práticas comerciais dos feirantes ciganos; apresentam uma forte dimensão performativa; os feirantes ciganos utilizam os pregões para  manipularem formas de "essencialismo estratégico" num contexto onde as relações de poder têm uma textura diferente; um dos resultados destas performances é de produzir uma espécie de economia moral dirigida aos consumidores.

19 de Novembro de 2012

Catarina Fróis (CRIA-IUL)

Título e resumo a anunciar

26 de Novembro de 2012

José Valcuende del Río (Universidad Pablo de Olavide /Sevilha)

Título e resumo a anunciar

17 de Dezembro de 2012

Applying Anthropology in the Field of Development Cooperation: A Study on Critical Factors for Secondary School Success among Coastal Populations in South Western Madagascar

David Picard (CRIA-FCSH/UNL)
Catarina Moreira (Centro de Biologia Ambiental, Universidade de Lisboa)

The paper presents results of an applied anthropology research project on critical factors for secondary school success among coastal populations in South Western Madagascar. The project was carried out in collaboration with the University of Tulear, the regional department for education of Tulear and the Diocese of Morombe. The outcomes contributed to the strategic and programmatic work of UNICEF-Madagascar as the main agency representing the UN system in the country. For UNICEF, promoting primary and lower secondary school education in the more vulnerable areas of the country (among which rural and coastal areas) and particularly for girls has been identified as a strategic objective[1] - in line with the national Education for All (EFA) programme , which is an ambitious plan of strategic and project level actionsdeveloped by the Malagasy national authorities in collaboration with the international EFA Fast Track Initiative, the World Bank and UN agencies in 2003. This plan was part of the country’s national development plan (Madagascar Action Plan) and proved highly successful in increasing the overall number of school enrolment. Following the unconstitutional (and internationally not recognized) de facto take-over of Madagascar’s government in 2009, budget support funds provided by international donors (representing around 50% of the state budget) were frozen. As a result, the de facto government’s budget allocated to education sharply decreased and schooling rates, especially among rural and coastal populations dropped. Since the beginning of the crisis, the United Nations via UNICEF assumed a leader role in concentrating efforts to ensure the continuous functioning of the educational system in the country, e.g. by providing directly or indirectly the resources needed, especially in areas where diminishing household incomes deeply affect the number of children attending school[2]. To reverse the current decline in access to education and to support the educational objective of the country’s national development plan, it appears crucial to dispose of pertinent information regarding critical factors affecting schooling and learning among vulnerable populations in rural and coastal areas. While a comprehensive set of surveys and structural assessments of the national school system in Madagascar is available, little or no information exist to identify social and structural factors affecting secondary school success.  Which factors are decisive for rural and coastal families to send, or not to send, their children to secondary school? What are the economic, institutional and social-cultural constrains families and pupils from vulnerable backgrounds face with regard to school and the school system? How well is the curriculum and actual teaching practice adapted to the needs of these families? What are the professional perspectives for pupils from vulnerable areas having passed secondary school? What is the impact of the structure and organization of schooling in rural and coastal areas on secondary school success rates? This study responds to these questions by adopting an anthropological approach focused on the working of the school system at the local scale, the sociological and economic factors that affect school success at family and village level, and the effective adaptation of national curricula into classroom teaching within local schools. The study represents as much an inductive approach to school practice and the school system in a specific locale, as it is an analysis of the way in which school and learning become part – or not – of the lives of coastal and rural families. The study focuses in particular on fishing populations in South Western Madagascar, with the rural commune of Befandefa as a case study.

25 de Fevereiro de 2013

Contributo da Analise Paleopatológica na Interpretação dos Modos de Vida do Passado

Francisca Alves Cardoso (CRIA -FCSH/UNL)

A reconstrução de padrões de saúde, atividades físicas e crenças através da análise de material osteológico humano tem sido um dos principais objetivos de estudo dos antropólogos físicos, que vêm o esqueleto como um palimpsesto, através do qual é possível reescrever a história de vida de um indivíduo. Dentro desta temática, o estudo das atividades e comportamentos experienciados por um indivíduo em vida tem sido extenso, apresentando-se em populações do passado intimamente associado à noção de “ocupação” (abrangendo assim atividades e comportamentos associados ao quotidiano, incluindo a profissão).

Os marcadores osteológicos utilizados na reconstrução de comportamento e atividades são conhecidos como Marcadores de Stress Ocupacional (MSO). Estes MSO também têm sido utilizados para inferir hierarquias sociais e divisões sexuais do trabalho. Na última década os MSO têm vindo a ser testados, de forma sistemática, em coleções de esqueletos identificados (CEI), que ao serem compostas por esqueletos identificados, permitem testar hipóteses relativamente à associação MSO e comportamentos e atividades, e simultaneamente controlar variáveis capazes de influenciar os resultados. Este contexto de análise tem reforçado a necessidade de uma abordagem mais prudente na interpretação das ocupações, especialmente quando estas são conotadas com as práticas socias e culturais. Estudos com base nas CEI têm demostrado que não existe uma relação direta entre ocupação e MSO. Não podendo tais resultados ser ignorados, torna-se necessário aprofundar o conhecimento teórico e metodológico das CEI, e o seu real contributo na interpretação dos modos de vida do passado.

4 de Março de 2013

Exportação religiosa brasileira e migração reversa: o desafio da Europa

Paul Freston (Basillie School of International Affairs, Wilfrid Laurier University/ Center for the Study of Latin American Pentecostalism, University of Southern California)
Kachia Techio (CRIA – FCSH/UNL /Center for the Study of Latin American Pentecostalism, University of Southern California)

A partir do projeto Exporting Latin American Pentecostalism and the Catholic Charismatic Renewal e do acervo audivisual e documental  do Pentecostal Charismatics Research Iniciative – PCRI esse seminário propõe-se apresentar uma reflexão sobre o atual panorama religioso brasileiro em Portugal e na Europa.

Propomos uma análise comparativa entre as iniciativas de grupos pentecostais e carismáticos, através das etnografias realizadas nos últimos anos bem como as estratégias de expansão missionária, através de cerca de cem entrevistas a líderes religiosos e ainda a discussão sobre a ‘missão reversa’ (Freston,2010) que representa o contrafluxo latino americano numa atualidade que também se redefine pela ‘migração reversa’.

O Centro de Estudos sobre o Pentecostalismo Latino Americano vem produzindo um grande número de pesquisas sobre católicos carismáticos (Freston 2006;Gabriel,2008,2010; Rodrigues, 2012; Mariz, 2012), transnacionalização religiosa (Oro, 2009, Téchio, 2010), neopentecostais (Freston 1999,2005;Oro, 2006; Rodrigues 2008), a religião na política (Freston 1994,1996,2004,2009,2010;Oro 2006), intolerância religiosa (Freston 2009,2010,2011;Oro, 2007), género e religião (Machado 1996,2000,2006,2008,2009; Mariz 1997,2006), religião e migração (Freston 2007,2012; Mariz 2008,2009;  rituais e performances (Téchio, 2011,2012), exportação do pentecostalismo e catolicismo brasileiros (Burity, 2012; Oro, 2012;Téchio,2012; Damacena, 2012; Clark, 2012; Mariz, 2012) entre outros, permitindo assim vários encontros, diálogos e trocas de informações entre pesquisadores e interlocutores dessa temática bem como a construção conjunta de novas metodologias necessárias ao mapeamento desse cenário. É nessa perspectiva que propomos esse seminário.

11  de Março de 2013

Sweethome, Luanda : memórias, identidades e pertenças de ‘emigrantes’ portugueses em Angola

Irène Strijdhorst dos Santos (CRIA-FCSH/UNL)

Resumo: Baseada na investigação etnográfica a que procedo atualmente em Lisboa e em Luanda, junto de famílias portuguesas regressadas de Angola em 1975, a minha comunicação analisa, numa perspetiva transgeracional, as memórias individuais e coletivas da ‘experiência africana’, colonial e pós-colonial, com particular incidência na forma como a atualacelaração dos fluxos migratórios portugueses para Angola reativa essas memórias. Que narrações fazem estes emigrantes-imigrantes de hoje, ‘colonos’, ‘exilados’ e ‘retornados’ de ontem, das respetivas vivências? Como é que as diversas temporalidades destas vivências, os contextos socio-históricos em que elas se inscrevem, são representados? Esta reflexão inscreve-se num projeto mais vasto, que interroga os legados contemporâneos do colonialismo na sociedade portuguesa.

18 de Março de 2013

O divino nos trópicos: festas do divino Espírito Santo em terreiros de tambor de mina (São Luís, Maranhão)

João Leal (CRIA – FCSH/UNL)

É grande a importância da narrativa africanista nas religiões afro-brasileiras tanto entre antropólogos como entre os seus praticantes. É também conhecido o modo como, inversamente, o paradigma africanista tem sido objeto de avaliação crítica, particularmente entre antropólogos. A revalorização da umbanda, o exame do papel desempenhado por entidades não africanas nos cultos afro-brasileiros – com destaque para os caboclos – ou a análise do africanismo como construção conjunta de antropólogos e pais e mães de santo têm sido linhas de trabalho que se têm vindo a desenvolver. Tem sido dada menos atenção ao modo como em muitos casos as religiões afro-brasileiras dialogam com formulações provenientes do catolicismo popular. É o que se passa com o Tambor de Mina do Maranhão. Aí, em particular na cidade de São Luís, a maioria dos terreiros está fortemente envolvida com a realização das Festas do Divino Espírito Santo. Partindo do exame de algumas dessas festas (Casa das Minas, Casa Fanti-Ashanti, Terreiro Fé em Deus, Terreiro São Sebastião, Casa Ilê Oshé Obá Izô) esta comunicação visa tratar alguns dos modos de articulação entre tradições africanas e catolicismo popular no Tambor de Mina. Operando a partir da categoria de sincretismo, a comunicação, ao mesmo tempo que examinará as principais figuras que este assume nas Festas do Divino avaliará também as condições de uma utilização crítica da própria noção de sincretismo que possa ir além da simples reciclagem das suas formulações tradicionais.

8 de Abril de 2013

A invisibilidade da morte entre populações migrantes em Portugal

Clara Saraiva (CRIA – FCSH/UNL)

Apesar dos estudos realizados em torno da recente condição de Portugal enquanto país de imigração, têm sido negligenciadas algumas questões importantes relacionadas com os estados de sofrimento e morte – ‘estados de alição’ – dos imigrantes. A morte, em particular, é um tema difícil mas crucial que não tem sido tocado nos estudos sobre imigração. Como é que os imigrantes percepcionam a morte e a incorporam na conceptualização da diáspora? Como é que os diferentes grupos de imigrantes conceptualizam o sofrimento e a morte nos outros grupos? Como é que os portugueses olham para a morte dos imigrantes, um assunto pouco discutido mas que gera preconceitos e mistilicações variadas? Numa sociedade ocidental em que a morte se tornou um tabu, e que é pensada como algo que só acontece aos outros, este distanciamento face ao último rito de passagem da vida pertence à esfera do mito e do preconceito – a invisibilidade da morte. Para os imigrantes, ela é uma realidade com que têm de lidar e que frequentemente determina o tão ambicionado regresso temporário a casa. A morte é aqui vista não apenas como um momento no tempo, mas como um processo, que envolve estados emocionais específicos e que desencadeia o uso de rituais para lidar com a inevitável angústia que tende a adquirir aspectos ainda mais complicados quando se está longe de casa.

Propomos analisar os níveis múltiplos que a morte toca, desde os mais simbólicos aos mais práticos. A morte é uma dimensão onde a abordagem transnacional é obrigatória – juntamente com o debate crítico sobre o sentido do ‘transnacional’ e as suas características multifacetadas-- já que encerra uma intensa circulação, não apenas de bens materiais e riqueza, mas também de universos significativos e simbólicos que circulam juntamente com os bens e as pessoas: o corpo, mas também os espíritos e as relações com o outro mundo que as pessoas trouxeram para a diáspora. Esta comunicação pretende desconstruir noções preconceituosas acerca do que acontece aos mortos imigrantes e olhar a “gestão da morte”, incluindo representações simbólicas bem como aspectos práticos, tais como os processos legais para repatriamento dos corpos. Esta análise será feita a partir dos dados de trabalho de campo com populações guineenses com base no trabalho com associações de imigrantes e com outras instituições envolvidas no processo—hospitais, agências funerárias, autoridades diplomáticas e de fronteira e instituições religiosas—e ainda no confronto com as percepções que os portugueses, como sujeitos em interacção no país de acolhimento, têm acerca da morte dos imigrantes.

22 de Abril de 2013

Poética social de um lugar ou a construção de um

Carla Almeida Sousa (CRIA-FCSH/UNL)

Desde meados do século passado que Alte, uma aldeia no interior da região Algarve se vem assumindo como símbolo de aldeia “antiga”, “tradicional”, “autêntica”, “folclórica”. É assim evocada pelos seus habitantes e por brochuras turísticas. Colocada nos bastidores da região turística a aldeia tem-se vindo a transformar também num destino de 2ª residência, o que aliás reforça os sinais exteriores do seu padrão tradicionalista. Alte foi construída como um estereótipo aldeão da visão ruralista do Estado Novo e este foi, em grande medida, o tema da minha dissertação de doutoramento alicerçada em torno da desconstrução desse estereótipo. Trabalhar sobre o tema, a reificação do lugar, colocou-me, no terreno, perante o paradigma “ verdadeira/falsa” arquitetura, folclore, tradição colocada por interlocutores locais e que se somava então à minha própria questão do “verdadeiro ou falso terreno”[3]. Nestas dicotomias o “terreno” parecia carecer de seriedade científica, parecia ser um «mero preconceito […] antitético à disciplina, ou […] excessivamente vulgar» (Herzefeld,2008:268). Estereotipar é uma estratégia essencializadora de identificação (Herzfeld,2008:269) que reconheço no terreno de que falo e que aqui será apresentada como fio condutor à luz de novos debates.

6 de Maio de 2013

Práticas artísticas, “apropriações” e nação

Sónia Vespeira de Almeida (CRIA-FCSH/UNL)

Esta comunicação procura identificar a rede de sentidos difundida a partir da ideia de nação nas artes visuais portuguesas na actualidade, explorando o que anuncia o reforço do debate em torno da identidade nacional. Partindo de uma etnografia do campo artístico, procurar-se-á interpelar as identidades em cena na arte contemporânea portuguesa, questionando sua rede de intencionalidades.

20 de Maio de 2013

Paquetes do império

Maria Cardeira da Silva (CRIA-FCSH/UNL)
Sandra Oliveira (CRIA FCSH/UNL)

O que propomos aqui, de forma ainda ensaística, é que numa leitura da inauguração portuguesa do turismo colonial se recuperem e articulem os diferentes prismas da genealogia do turismo e da colonização ditos modernos: seja a génese do turismo associada ao Grand Tour, seja a análise do turismo como forma de imperialismo colonial, seja ainda o entendimento da relevância de organização do lazer e da juventude na primeira metade do século XX para a configuração das práticas turísticas modernas. Para ilustrar essa convergência mostraremos como o 1º Cruzeiro de Férias às Colónias foi um ato decididamente colonial – uma viagem de soberania e sua exibição nacional e internacional com intuitos políticos de subordinação cultural e de angariação económica ­– mas também como nele embarcaram todos os pressupostos da constituição da nação e da pedagogia do sujeito português moderno.

COIMBRA

17 de Outubro

“Renascimentos” das "tradições nacionais" no século XXI: reflexão em torno de alguns aspectos do caso português

Vera Alves (CRIA-UC)

Em Portugal, a primeira década do milénio testemunhou vários movimentos de renascimento das tradições populares. Nesta comunicação pretendo apresentar alguns destes casos, e discutir factores que podem explicar tal "ressurreição". Neste âmbito, considerarei tal fenómeno enquanto reacção ao processo de globalização, propondo ao mesmo tempo um olhar atento às modalidades de redefinição simbólica da identidade nacional face às transformações que marcaram a percepção da modernização do país nas últimas décadas.

12 de Dezembro

Discursos sobre o passado e a modernidade na produção do património: a autoridade da história e a autonomia da arquitetura numa Pousada em Santa Maria do Bouro

Marta Prista (CRIA-FCSH/UNL)

A tangibilidade e perenidade da arquitetura constituem-na um objeto privilegiado dos processos de patrimonialização que resgatam a autoridade do passado na afirmação de uma identidade no presente. Estes investimentos são construções intelectuais que selecionam, esquecem e atualizam traços do passado na exibição de uma narrativa sobre tradição, história e modernidade. Neste sentido, a longevidade e a natureza do programa Pousadas de Portugal permitem pensá-las como um catálogo de modalidades de representação da cultura portuguesa produzidas por diferentes contextos ideológicos e tecnológicos, desde 1942. Esta apresentação propõe-se refletir sobre a construção pós-moderna do passado através de uma leitura sobre a produção e o consumo da Pousada de Santa Maria do Bouro. A obra ilustra o esbatimento atual das dicotomias que modelavam os entendimentos de cultura e o fim dos paradigmas na intervenção no património arquitetónico. O resultado é uma encenação de autenticidade que dessacraliza o passado, esteticiza a ruína histórica, anuncia a profissionalização da cultura e satisfaz a nostalgia moderna. Sugere-se queSanta Maria do Bouro é o advento da pós-modernidade na rede Pousadas ao recusar a natureza autoritária da história e ativar uma ideia híbrida de património que articula valores históricos e artísticos, tempos passados e presentes, segundo disposições estéticas reveladoras das relações contemporâneas entre cultura e consumo.

 



[1]UNICEF (2011) Connecting Classrooms, Communities, and Youth for Biodiversity Conservation in Madagascar(Project proposal June 2011), UNICEF Madagascar.

[2] UNICEF Madagascar (2010) The Situation of Children and Families in Madagascar, Newsletter No. 3.

[3] A ideia de que existem verdadeiros e falsos terrenos até pela presença prévia do etnógrafo e pela circulação da sua obra que pode conduzir a reproduções de estereótipos, como Pais de Brito (1996) sublinhou Rio de Onor.

Lieux

  • Edifício I&D, Piso 4, Sala Multiusos 2, FCSH-UNL - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Av. de Berna, 26C
    Lisbonne, Portugal (1069-061)

Dates

  • lundi 25 février 2013
  • lundi 17 décembre 2012
  • lundi 26 novembre 2012
  • lundi 05 novembre 2012
  • lundi 29 octobre 2012
  • lundi 08 octobre 2012
  • mercredi 17 octobre 2012
  • mercredi 12 décembre 2012
  • lundi 04 mars 2013
  • lundi 11 mars 2013
  • lundi 18 mars 2013
  • lundi 08 avril 2013
  • lundi 22 avril 2013
  • lundi 06 mai 2013
  • lundi 20 mai 2013

Mots-clés

  • antropologia física, análise paleopatológica, antropologia

Contacts

  • CRIA
    courriel : cria [at] cria [dot] org [dot] pt

Source de l'information

  • Patrícia Freire
    courriel : patricia [dot] freire [at] cria [dot] org [dot] pt

Pour citer cette annonce

« Seminário CRIA 2012/2013 », Séminaire, Calenda, Publié le mardi 19 février 2013, http://calenda.org/239914