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Horizontes de compromisso

Descolonizar os desejos?

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Publié le lundi 04 mars 2013 par Marie Pellen

Résumé

Partindo da ideia de que os desejos são construções culturais e políticas e que constituem acções historicamente situadas, pretendemos levantar algumas questões: De que formas se constroem, manipulam, incorporam e vivenciam os desejos enquanto discursos? É possível indisciplinar os desejos coletivamente? A partir de que desejos coletivos estão a emergir ações coletivas transformadoras?

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Apresentação

A distinção entre natureza/cultura foi uma narrativa fundadora do pensamento ocidental, em particular a partir da intensificação dos (des)encontros com sociedades não-ocidentais que a  expansão marítima europeia e o colonialismo subsequente potenciaram. A valorização ocidental da cultura em detrimento da natureza consistiu num instrumento simbólico e político de poder, mais concretamente de opressão e de legitimação, que criou clivagens entre pessoas e conhecimentos. Subjacente a esta oposição reside uma outra – as emoções e a razão/cognição – e que funcionou como uma ferramenta ideológica e discursiva que implicou processos de hierarquização e diferenciação social.

Os desejos, como parte integrante do universo vasto das emoções, foram alvo de uma retórica de controlo específica do discurso hegemónico da modernidade ocidental. O sistema-mundo moderno colonial elaborou estrategicamente práticas disciplinares dos desejos com o objetivo de manter a ‘ordem capitalista’ através de formas reguladoras de dominação/exploração. Numa perspectiva pós-colonial, consideramos que um debate crítico sobre os desejos possa ser pertinente para inquirir, por um lado, sobre formas reguladoras de desejos que perpetuam políticas coloniais e, por outro lado, que tipo de desejos coletivos podem levar a novos horizontes de possibilidade, isto é, até que ponto os desejos podem ser emancipatórios. Nesse sentido, e tal como Guattari e Rolnik enunciam, “[…] proporía [mos] denominar desejo todas as  formas de vontade de viver, de criar, de amar; a vontade de inventar outra sociedade, outra perceção de mundo, outros sistemas de valores” (Guattari e Rolnik, 2006: 255).

Partindo da ideia de que os desejos são construções culturais e políticas e que constituem acções historicamente situadas, pretendemos levantar algumas questões: De que formas se constroem, manipulam, incorporam e vivenciam os desejos enquanto discursos? É possível indisciplinar os desejos coletivamente? A partir de que desejos coletivos estão a emergir ações coletivas transformadoras?

Tendo em conta o desafio coletivo presente nesta proposta, assim como a diversidade de lugares de onde falamos, pretendemos traçar a performatividade dos desejos nos seguintes temas:

  •  Desejos coletivos e emancipação social
  •  Imaginários do Estado-Nação e dispositivos de controlo do desejo · Capitalismo, individualização do desejo e corpos precários · A materialidade do desejo: políticas de desenvolvimento e consumo · Representação do desejo nas literaturas e artes · Diferenciação social

Propostas

Está aberta a chamada de comunicações para o Congresso de Filosofia Jovem “Horizontes de Compromisso”, a realizar-se em Granada, Espanha, entre os dias 5 e 8 de Junho de 2013.

O Grupo Autónomo de Investigação em Estudos Pós-Coloniais (GAIEPC) coordena a Mesa de Debate 3: ¿Descolonizar los Deseos? A Mesa 3 do Congresso de Filosofia Jovem “Horizontes de Compromisso” terá por tema Descolonizar os Desejos? A mesa é coordenada pelo GAIEPC (Grupo Autónomo de Investigação em Estudos Pós-Coloniais).

  • O prazo para a apresentação de propostas e resumos termina a 23 de Fevereiro de 2013.
  • Os resumos devem ter no máximo 300 palavras e incluir o(s) contacto(s) do(s) autores assim como uma breve biografia.
  • Os resumos podem ser redigidos em espanhol ou português.
  • Os resumos devem ser enviados para gaieposcoloniais@gmail.com

Grupo Autónomo de Investigação em Estudos Pós-Coloniais

Somos um grupo autónomo de investigação formado ao longo do ano letivo de 2011/2012 fruto da interação proporcionada pela participação nos seminários do Programa de Doutoramento em Pós-Colonialismos e Cidadania Global do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra. O GAIEPC não possui qualquer vinculação institucional direta com universidades, centros de pesquisa e ONGs.

As nossas pesquisas têm lugar em diferentes contextos geográficos e articulam diferentes abordagens teóricas e metodológicas de diversos campos disciplinares, tais como os estudos culturais, a política internacional, a história, a antropologia social e cultural, a sociologia, as ciências políticas, a comunicação social e os estudos literários.

A perspetiva dos estudos pós-coloniais da qual partimos visa refletir criticamente sobre a permanência de formas de poder/saber baseadas em relações de dominação/exploração que tiveram início no sistema capitalista-moderno-colonial.  Pretendemos problematizar o status quo e as questões de poder através de uma análise crítica que parte das subjetividades de contextos específicos e de situações plurais, privilegiando a agencialidade (agency) e a experiência vivida.

Participantes

Cristina Sá Valentim cristina.valentim@gmail.com cristinavalentim@ces.uc.pt

Doutoranda em Pós-Colonialismos e Cidadania Global no Centro de Estudos Sociais (CES), laboratório associado à Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC). Licenciada em Antropologia desde 2002 e Mestre em Antropologia Social e Cultural a partir de 2009, também na Universidade de Coimbra. É investigadora colaboradora no Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA). As suas áreas principais de investigação têm vindo a centrar-se em questões de diferenciação social, agency, subjetividade e reconfiguração identitária. No seguimento dessas linhas de investigação realizou dois estudos de caso, para os quais recorreu à metodologia das histórias de vida e do trabalho etnográfico: o primeiro, no âmbito da monografia de investigação da licenciatura, onde analisou questões identitárias em redor do voluntariado hospitalar e, o segundo, como dissertação de mestrado, onde analisou os usos da língua portuguesa por dois imigrantes não falantes de português e sua relação com  processos identitários e de integração social. Presentemente, as suas áreas de interesse passam pelos estudos pós-coloniais e pretende explorar o idioma de ‘folclore colonial’ para analisar a vertente política da cultura, da performance e da identidade no contexto da Diamang, a Companhia de Diamantes de Angola (1917-1975).

Esther Fernandez Moya estherfermoya@gmail.com

Doutoranda em Pós-Colonialismos e Cidadania Global (CES/FEUC). É mestre em Investigaçao Etnografica pela Univerdidad Autónoma de Barcelona (2010-2011) onde apresentou a pesquisa ” As instituições locais para a ação coletiva na gestão dos comunes no México: o Ejido depois das reformas agrarias de 1992″. Também é graduada em Antropología Social e Cultural pela Universidad de Granada, e em Educaçao Social pela Universidad de Barcelona. Seus interesses de pesquisa incluem, actualmente: as instituições locais para a ação coletiva, a propriedade coletiva e gestão da terra, a descolonização do conhecimento, a ecologia política e o pluralismo jurídico.

Fabrício Dias da Rocha fabricio13rocha@gmail.com

Doutorando em Pós-Colonialismos e Cidadania Global (CES/FEUC); Mestre em Antropologia Social e Cultural pela Universidade de Coimbra/Portugal (2010); Licenciado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Pará – Brasil (2008). Atualmente desenvolve estudos sobre questões pós-coloniais no tocante as relações sul-sul, relacionadas aos impactos sociais de projetos económicos no eixo Brasil-Moçambique e sobre a construção de ferramentas de participação e reinvidicação cidadã em Moçambique. Realiza também estudos sobre questões que perfazem os processos de conformação identitária e trajetória de Moçambicanos brancos após a independência de Moçambique. Em trabalhos anteriores, desenvolveu pesquisa na área das migrações e no estudo da formação de identidades transnacionais em Portugal com foco nos Estudantes brasileiros em Coimbra; Realizou análise sobre o desenvolvimento de estratégias de construção de cadeias produtivas artesanais locais no Peru a partir dos derivados da folha da coca; Teve experiência etnográfica na análise dos elementos que conformam as práticas e rituais de cultos religiosos Amazónicos como Santo Daime.

Inês Nascimento Rodrigues inesbirrento@gmail.com mariarodrigues@ces.uc.pt

Licenciada em Jornalismo pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (2008) e mestre pela mesma instituição desde 2011. Actualmente, é bolseira de doutoramento da FCT e doutoranda em Pós-Colonialismos e Cidadania Global (CES/FEUC). Os seus principais interesses de investigação centram-se nos estudos literários e culturais, nas questões da produção de conhecimento, nos estudos pós-coloniais e nos debates sobre representações culturais.

Iolanda Vasile iolanda.vasile@gmail.com iolandavasile@ces.uc.pt

Iolanda Vasile é licenciada em Línguas Estrangeiras, Especialização Japonês e Português, pela Universidade de Bucareste, Roménia, com um ano de intercâmbio na Universidade de Minho, em Braga, Portugal. A partir de 2009 é doutoranda do Programa de Doutoramento em Pós-Colonialismos e Cidadania Global (CES/FEUC). As principais áreas de interesse são: pós-colonialismo, memória, identidade, estudos africanos.

Luís Mousinho de Magalhães e Meneses de Mascarenhas Gaivão lgaivao@sapo.pt l4mgaivao@gmail.com

Doutorando em Pós-Colonialismos e Cidadania Global (CES/FEUC), Mestre em Lusofonia e Relações Internacionais pela Universidade Lusófona de Lisboa com a dissertação “CPLP – A Cultura como Principal Fator de Coesão”, Licenciado em Filosofia e Humanidades pela Universidade Católica (Faculdade Filosofia de Braga), foi membro da bolsa de formadores do ACIDI (Alto Comissariado para o Diálogo Intercultural), professor reformado, ex-Adido Cultural de Portugal em Luanda, Luxemburgo e Bruxelas, cooperante-formador na DGEX (Direção Geral de Educação de Adultos em Cabo Verde), membro fundadorda AICL (Associação Internacional Colóquios da Lusofonia), formador do projecto Entreculturas do Ministério da Educação. Áreas de interesse: interculturalidade, estudos africanos, pós-colonialismos, literaturas africanas, relações internacionais.

Maurício Hashizume mauriciohashizume@ces.uc.pt maurijor@gmail.com

Investigador do Projeto ALICE – Espelhos Estranhos, Lições Imprevistas, coordenado por Boaventura de Sousa Santos, e doutorando em Pós-Colonialismos e Cidadania Global (CES/FEUC). Mestre em Sociologia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (2010), concluiu tese sobre a formação do movimento katarista, especialmente em seu período inicial (1969-1985), que tem papel relevante na consolidação dos movimentos indígenas, originários e camponeses na Bolívia. É graduado em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela mesma universidade (2001). Vem atuando há mais de uma década como jornalista (com diversos trabalhos de investigação, reportagem e cobertura, especialmente na área social). No campo acadêmico, trabalha com os seguintes temas: movimentos sociais, cultura sociopolítica, Estado e interculturalidade, ação política e participação social e democratização da democracia.

Raúl Llasag Fernández raulllasag@yahoo.es rallasag@gmail.com raulfernandez@ces.uc.pt

Es kichwa del pueblo Panzaleo del Ecuador, que forma parte de la Confederación del Pueblo Kichwa del Ecuador (ECUARUNARI) y de la Confederación de Nacionalidades Indígenas del Ecuador (CONAIE). Es investigador do CES y actualmente está integrado al proyecto “ALICE – Espelhos estranhos, lições imprevistas: definindo para a Europa um novo modo de partilhar as experiências do mundo”, coordinado por el profesor Boaventura de Sousa Santos. Forma parte del equipo de investigación – Ecuador y Bolivia – sobre “Justicia Indígena y Plurinacionalidad” también coordinada por el profesor Boaventura de Sousa Santos. Es catedrático en la Universidad Andina Simón Bolívar sede Ecuador sobre “Plurinacionalidad, interculturalidad y justicia indígena”. Participó como miembro del equipo de redacción del proyecto de la “Nueva Constitución Plurinacional” de 1998 y 2008, en la CONAIE y Ministerio de Justicia del Ecuador. Escribió varios artículos sobre plurinacionalidad, derechos de la naturaleza, sumak kawsay, justicia indígena, derechos de los pueblos indígenas. Sus estudios lo realizó en Derecho, tiene una maestría en Derecho Constitucional y es candidato a PhD en Poscolonialismos y Ciudadanía Global (CES/FEUC). Sus intereses de investigación giran alrededor de la Constitución plurinacional e intercultural en el contexto de un pensamiento crítico y la epistemologia del sur.

Vico Dênis Sousa de Melo vico_denis@hotmail.com vicomelo@ces.uc.pt

Doutorando e bolsista CAPES em Pós-Colonialismos e Cidadania Global pelo Centro de Estudos Sociais (CES/FEUC), é mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco (2012) e bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Estadual da Paraíba (2010). Ao longo do doutoramento, vem trabalhando na temática “Descolonizando a Teoria das Relações Internacionais: contribuições pós-coloniais do Sul na emancipação do conhecimento”, com enfoque ao Princípio da Não Indiferença. Para além dessas temáticas tem trabalhado na(s): Teorias das Relações Internacionais, com approach nas teorias críticas e pós-coloniais; relações Sul-Sul; relações Brasil-África; política externa e de cooperação brasileira para os países africanos no espaço da língua portuguesa.

 

Lieux

  • GAIEPC (Grupo Autónomo de Investigação em Estudos Pós-Coloniais)
    Coimbra, Portugal (3000-995)

Dates

  • samedi 23 février 2013

Contacts

  • Grupo Autónomo de Investigação em Estudos Pós-Coloniais
    courriel : gaieposcoloniais [at] gmail [dot] com

Source de l'information

  • Marta Maia
    courriel : martamaia72 [at] yahoo [dot] fr

Pour citer cette annonce

« Horizontes de compromisso », Appel à contribution, Calenda, Publié le lundi 04 mars 2013, http://calenda.org/240519