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Lisboa XXI

Abril e Lisboa

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Publié le mercredi 16 avril 2014 par Marie Pellen

Résumé

No ano em que se comemoram os 40 anos da Revolução de Abril, o 3º Ciclo de Conferências LISBOA XXI sob o título “Abril e Lisboa”, inserido na unidade curricular “Lisboa: rupturas e continuidades”, leccionada e coordenada pela Professora Paula André no Mestrado Integrado em Arquitectura da Escola de Tecnologias e Arquitectura do ISCTE-IUL, tem como principal objectivo reflectir sobre as liberdades vivas e alertar para as liberdades ausentes. Para o realizar foram convidados especialistas das áreas da literatura e do jornalismo, da arquitectura e da antropologia. As apresentações serão realizadas por Armando Baptista-Bastos, Miguel  Baptista-Bastos e Ricardo Campos.

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No ano em que se comemoram os 40 anos da Revolução de Abril, o 3º Ciclo de Conferências LISBOA XXI sob o título “Abril e Lisboa”, inserido na unidade curricular “Lisboa: rupturas e continuidades”, leccionada e coordenada pela Professora Paula André no Mestrado Integrado em Arquitectura da Escola de Tecnologias e Arquitectura do ISCTE-IUL, tem como principal objectivo reflectir sobre as liberdades vivas e alertar para as liberdades ausentes. Para o realizar foram convidados especialistas das áreas da literatura e do jornalismo, da arquitectura e da antropologia.

24 de Abril de 2014 14:30 - 17:30

Audiotório B204 ISCTE-IUL

Entrada livre  

Programa

14:30-15:15 “A Liberdade em acção”.

Armando Baptista-Bastos

Historicamente, ao longo do século xx, não tivemos uma ideia, nem sequer noção do que poderia ser algo relacionado com a liberdade; provavelmente, a não ser nos dezasseis anos da Primeira República. O 25 de Abril dá-nos essa noção, esse novo conceito, onde as leis foram feitas na rua, as leis são feitas através da contestação popular; os grandes movimentos populares e políticos determinaram a existência de alterações substanciais na estrutura social portuguesa. Essa liberdade em acção implicou também uma nova moral nas estruturas tradicionais da sociedade portuguesa. Os costumes alteraram completamente: até no modo de conversar, pois introduziram-se novos vocábulos provenientes das multidões: um milhão e meio de pessoas vieram das ex-colónias. Tudo isso determinou uma nova concepção de liberdade. – é a acção da liberdade: é a liberdade em acção.

Armando Baptista-Bastos, nasceu em Lisboa, no Bairro da Ajuda (que tem centralizado em vários romances e numerosas crónicas), em 27 de Fevereiro de 1933. Frequentou a escola de Artes Decorativas António Arroyo e o Liceu Francês. Começou o seu percurso profissional em «O Século», de que foi subchefe de Redacção com, apenas, 19 anos, assinou uma coluna de crítica cinematográfica, «Comentário de Cinema», que se tornou famosa pelo registo extremamente polémico. Em Abril de 1960 é despedido de «O Século» por motivos políticos e, devido às circunstâncias, trabalhou na RTP numa semi-clandestinidade e com um nome suposto: Manuel Trindade. É no vespertino «Diário Popular», onde trabalhou durante vinte e três anos (1965-1988), e no qual desempenhou importantes funções, que marca, «com um estilo inconfundível» [Adelino Gomes] o jornalismo da época. Foi docente na Universidade Independente, onde leccionou a disciplina de Língua e Cultura Portuguesas. Em Abril de 1999, a Direcção do matutino «Público» convidou-o a realizar uma série de dezasseis entrevistas, subordinadas ao tema: «Onde é que Você Estava no 25 de Abril?», que desencadeou grandes polémicas e constituiu um assinalável êxito jornalístico. Doze dessas entrevistas (com Álvaro Guerra, Carlos Brito, D. Januário Torgal Ferreira, Emídio Rangel, Fernando de Velasco, Hermínio da Palma Inácio, João Coito, Joshua Ruah, general Kaúlza de Arriaga, Manuel de Mello, padre Mário de Oliveira e Pedro Feytor Pinto) foram inseridas num CD-Rome (que teve uma tiragem de 55 mil exemplares), juntamente com a edição de 25 de Abril de 1999 daquele jornal. Pela mesma ocasião, a Direcção do «Diário de Notícias» também convidou Baptista-Bastos a escrever o enquadramento do capítulo «O Efémero», da edição especial «O MILÉNIO», iniciativa daquele matutino. Ao longo da sua vida recebeu inúmeros prémios, publicou uma vasta obra de ensaio e ficção e acaba de lançar o livro «Tempo de Combate» (edições Parsifal), alertando que “não podemos, nem devemos admitir que esta gentalha destrua o que ainda deixou restar da decência, da honra e da dignidade da nação e da pátria. Acordai, cidadãos!”.

15:15-16:00 Onde é que estavam os arquitectos antes e depois do 25 de Abril?”

 

Miguel  Baptista-Bastos

Esta pergunta pretende provocar e desconcertar a profissão do arquitecto entre duas realidades que alteraram a forma de ver o país através do pensamento, e consequentemente da edificação e planificação arquitectónicas. Estas duas realidades são o período antecedente e posterior à revolução de Abril. Será que o exercício da profissão em ditadura e liberdade teve alterações assim tão profundas? Os arquitectos fizeram alguma coisa para que o país tenha mudado assim tanto, ou limitaram-se a seguir a mudança das normas? A sua importância na sociedade portuguesa hoje em dia é assim tão evidente, ou nem por isso? ...O que foi e deixou de ser será?

Miguel Baptista-Bastos nasceu em Lisboa (Alfama) no ano de 1971. Estudou no Liceu Gil Vicente, Escola Secundária Artística António Arroio e na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa, onde se Licenciou em Arquitectura. Trabalhou em diversos ateliers  e teve gabinete próprio, projectando e executando diversas obras pelo país e não só. É docente da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa desde 1998, onde leccionou desde sempre “Projecto de Arquitectura”, embora paralelemente tenha dado outras disciplinas, tais como “Cenografia”, “Cenografia e Exposições”, “Arquitecturas Efémeras”, “Requalificação das áreas costeiras” e “Requalificação urbanística”; actualmente lecciona o 4º Ano de Projecto. Fez provas de aptidão pedagógica e capacidade científica, mestrado e doutoramento. Tem efectuado ao longo dos anos de docência um trabalho paralelo de investigação em diversas áreas relacionadas com a arquitectura. Tem artigos publicados nacional e internacionalmente; fez, faz, deu e dá palestras, workshops e outras actividades relacionadas com a docência. Coadjuvou o centro de formação profissional da FAUL e actualmente é o coordenador científico do “Ciclo de Palestras da Faculdade de Arquitectura”.

16:00-16:45 “Políticas do Muro”.

Ricardo Campos

Os muros para além do seu carácter funcional sempre foram usados como suportes comunicacionais importantes. São diversos os exemplos da nossa história recente que revelam o poder que estes detêm na disseminação de mensagens de diversa ordem, nomeadamente de natureza ideológica ou política. Os graffiti do Maio de 68 e do muro de Berlim ou os murais de Abril, apontam para o uso do muro enquanto circuito de comunicação paralelo aos media tradicionais, confirmando a rua e o espaço público urbano como terrenos privilegiados para a prática da cidadania e da comunicação política por parte de diversos sectores da sociedade, nomeadamente em períodos de maior convulsão política e social. Baseando-me no caso português e tendo em particular atenção a relação entre os murais revolucionários pós-25 de Abril e o graffiti contemporâneo procuro, nesta comunicação, abordar o papel do muro e das suas linguagens, articulando as dimensões da política e da estética aí presentes.

Ricardo Campos é mestre em Sociologia e Doutorado em Antropologia Visual. Actualmente é investigador auxiliar no Centro de Estudos das Migrações e Relações Interculturais e vice-coordenador da pós-graduação em Estudos Juvenis e Comunitários (UniversidadeAberta). É igualmente co-editor da revista internacional Cadernos de Arte & Antropologia, co-fundador e co-coordenador da Rede Luso-Brasileira de pesquisa em Artes e Intervenções Urbanas. Ao longo dos anos tem realizado pesquisa em vários centros de investigação em torno das temáticas das culturas juvenis urbanas, da arte urbana, dos media digitais, da antropologia visual e da cultura visual, tendo diversos capítulos de livros e artigos em revistas nacionais e internacionais sobre estes temas. É autor das obras Introdução à cultura Visual. Abordagens teóricas e metodológicas (Mundos Sociais, 2013), Porque pintamos a cidade? Uma abordagem etnográfica ao graffiti urbano (Fim de Século, 2010) e co-organizador dos livros Uma cidade de Imagens (com Andrea Mubi Brighenti e Luciano Spinelli, Mundos Sociais, 2011) e Popular & Visual Culture: Design, Circulation and Consumption (com Clara Sarmento, Cambridge Scholars Publishing, no prelo).  

16:45-17:30 Debate

Lieux

  • ISCTE-IUL - Avenida das Forças Armadas
    Lisbonne, Portugal (1649-026)

Dates

  • jeudi 24 avril 2014

Fichiers attachés

Mots-clés

  • Lisboa, Abril, Arquitectura, Urbanismo, Liberdade

Source de l'information

  • Bruno Vasconcelos
    courriel : bruno [dot] vasconcelos [at] iscte [dot] pt

Pour citer cette annonce

« Lisboa XXI », Informations diverses, Calenda, Publié le mercredi 16 avril 2014, http://calenda.org/285555