Página inicialViolências, genocídios, guerras, homicídios, feminicídios, crimes, mortes, representações estéticas na América Latina (séculos XIX-XXI)

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Violências, genocídios, guerras, homicídios, feminicídios, crimes, mortes, representações estéticas na América Latina (séculos XIX-XXI)

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Violence, genocide, wars, killings, feminicide, crime, deaths, and aesthetic representations in Latin America (19th-21st c.)

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Publicado quarta, 16 de janeiro de 2013 por Loïc Le Pape

Resumo

Para este número da revista propomos um enfoque interdisciplinar, que passa pela história, sociologia, antropologia, pela diplomacia, as questões de gênero e alteridade, pelas interpretações estéticas de todo tipo. O período histórico sobre o qual se concentra este oitavo número da revista Amerika vai do século XIX até os dias atuais. Todo trabalho que relacione um passado anterior ao século XIX com períodos mais recentes também será bem-vindo. Esta reflexão é produto do intercâmbio e debate entre a Universidade de Antioquía (Colombia) e a Universidade de Rennes 2 (França).

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Violências, genocídios, guerras, homicídios, feminicídios, crimes, mortes, representações estéticas na América Latina (séculos XIX-XXI)

Apresentação

A História da humanidade está atravessada por cenas de violência. Todos os mitos fundacionais comportam uma guerra, uma disputa, um ato sangrento. A derrama de sangue equivale a construir-se uma identidade que se torna marca indelével na viagem até o passado e na projeção para o futuro. E se esta realidade tem importância em nível universal, o mesmo ocorre no plano regional, nacional, local, familiar. Porém, longe de toda especulação espacial ou tribal, essa realidade expõe uma problemática vinculada com os primórdios da humanidade: o conflito entre o bem e o mal, entre a justiça e a injustiça, o conflito entre os limites da legalidade, o do livre arbítrio, o problema da casualidade no delito, a relação entre o fato punível e a sanção, tal como se observa em escritores como Piglia ou nos romances policiais na Costa Rica, Peru, Colômbia, etc. Dito isso, a morte entra num território flutuante, que passa pela realidade e pelo desejo, porque é sedutora, porque destrói, mas ao mesmo tempo mostra a possibilidade de uma transformação, de uma mudança radical. Nesse sentido, as violências e todos os outros temas que propomos desenvolver produzem um efeito de comoção na identidade individual e coletiva. Funcionam como uma refundação.

A história dos países latino-americanos se inscreve na dinâmica deste processo. Desde antes da vergonha da conquista e da colonização, desde o desaparecimento de milhões de indivíduos de povos autóctones, a história latino-americana está marcado por essa violência fundadora. Os processos de resistência indígena, a Independência e posteriormente as guerras civis que sacudiram o mundo latino-americano em seu afã de construir um modelo estatal, os sucessivos tiranicídios, também levam a marca dessa violência. Esta realidade  demonstra problemas que se relacionam com o resgate da memória e com a rescrita da história, com a função de toda e qualquer forma de representação estética quando tratam das ditas temáticas.

O genocídio dos povos indígenas não teve fim com a Independência. Pelo contrário, o extermínio de numerosos grupos étnicos, de maneira planejada ou como consequência dos abusos sociais, políticos e contra o meio-ambiente, prolongam esta tragédia até os dias atuais. Os genocídios cometidos desde o século XIX e em época mais recente na Argentina, Peru, Colômbia, Uruguai, Chile, México, Paraguai, Guatemala, etc., alongam esta cadeia que instrumenta através do Estado a eliminação física do opositor, sem possibilidade de diálogo democrático. A violência de gênero se inscreve na mesma linha. A atual situação da Cidade Juárez (México) nos serve de exemplo.

Diante desta violência das instâncias do poder ou do narcotráfico, surgiu uma outra violência de resistência, de resposta, dos setores marginais ou vitimizados da sociedade. Rebeliões indígenas, sindicais, políticas, atentados anarquistas, surgimento de grupos armados em oposição ao exército estatal. A lista para enumerar esta crônica da violência nos parece interminável. Mas também não devemos esquecer das organizações pacíficas que, seguindo o modelo da organização criada por Javier Sicilia no México, sugerem soluções que não passam pelo enfrentamento direto.

Que memória temos dos campos de batalha, dos campos de concentração, dos territórios dos massacres, das ruinas pré-colombianas? O discurso historiográfico se interessa cada vez mais por esses temas memorialísticos, porque as deformações e os esquecimentos impregnaram as versões do passado. O que fazer com esses espaços?

O ambiente familiar também sofre com essa violência que nos transmitem os mitos fundadores: infanticídios, parricídios, matricídios, fratricídios. O sangue chama o sangue como se deste modo se atribuíssem uma origem comum. Ao drama histórico o correspondem os dramas sociais e familiares. Que imagem da morte elaboram os povos neste contexto?

Esta realidade foi objeto de tratamentos estéticos de toda ordem. As artes plásticas plasmaram desde o século XIX a imagem de uma sociedade transpassada por todo tipo de enfrentamentos. O romance policial – que nasceu em língua espanhola na Argentina em 1878, trinta anos antes que em Espanha – tratou naturalmente  de todos esses temas, quer fossem os vinculados a violência coletiva, ou aqueles relacionados ao indivíduo. A evolução sofrida por esse gênero literário desde Borges e Bioy Casares até chegar na época atual, na qual os romancistas dão ênfases mais ao crime do que a ideia moderna de sanção também foi objeto de tratamento estético.

Matar, morrer (assassinado ou de morte natural), culpáveis, inocentes, vítimas: todas estas categorias alimentaram o imaginário artístico desde o século XIX e se estenderam até outras manifestações como a música (os “corridos” da revolução mexicana – uma espécie de literatura de cordel; assim como o “narcocorrido” para citar um exemplo recente),  o cinema, o teatro, etc.  O auge do romance, do cinema e das séries policiais televisivas nos países latino-americanos desde os anos 70 merecem uma dose de crítica para entendermos suas origens e seu diálogo com a realidade. Como na vida real, nas artes, as pessoas também morrem.

Para este número da revista propomos um enfoque interdisciplinar, que passa pela história, sociologia, antropologia, pela diplomacia, as questões de gênero e alteridade, pelas interpretações estéticas de todo tipo. O período histórico sobre o qual se concentra este oitavo número da revista Amerika vai do século XIX até os dias atuais. Todo trabalho que relacione um passado anterior ao século XIX com períodos mais recentes também será bem-vindo.

Esta reflexão é produto do intercâmbio e debate entre a Universidade de Antioquía (Colombia) e a Universidade de Rennes 2 (França).

  • Gustavo Forero Quintero (Universidade de Antioquía, Colombia);
  • Claire Sourp e Nestor Ponce (LIRA/ERIMIT 4327, Universidade Rennes 2)

Propostas

  • Prazo final para entrega de trabalhos: 2 maio 2013

  • artigos de 40.000 caracteres, incluindo notas e bibliografía

Comissão Científica

http://amerika.revues.org/795


Datas

  • quinta, 02 de maio de 2013

Contactos

  • Néstor Ponce
    courriel : nestorponce35 [at] yahoo [dot] fr

Fonte da informação

  • Élodie Blestel
    courriel : elodieblestel [at] yahoo [dot] fr

Para citar este anúncio

« Violências, genocídios, guerras, homicídios, feminicídios, crimes, mortes, representações estéticas na América Latina (séculos XIX-XXI) », Chamada de trabalhos, Calenda, Publicado quarta, 16 de janeiro de 2013, https://calenda.org/234953

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