Página inicialReprésentations des Africains et personnes d’ascendance africaine dans les manuels scolaires

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Représentations des Africains et personnes d’ascendance africaine dans les manuels scolaires

The representation of Africans and people of African descendancy in school manuals

Perspectives afro-décoloniales. Enjeux pratiques et théoriques

Afro-decolonial perspectives - practical and theoretical issues

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Publicado quarta, 07 de setembro de 2016 por Céline Guilleux

Resumo

Ce colloque a plusieurs objectifs. L'objectif principal est d'interroger la représentation des personnes d'ascendance africaine dans les manuels scolaires et de réflechir à la création de manuels scolaires dans lesquels ces populations seraient repésentées à leur juste valeur au sein d'une histoire pluriverselle. La rencontre questionnera toutes les disciplines et tentera d'établir un réel dialogue interdisciplinaire. Enfin, il sera question de la mise en place d'équipes de travail et de réflexion qui se réuniront après le colloque pour continuer le travail ébauché durant la rencontre.

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Apresentação

« Sentado na sala de aula, várias perguntas me perturbam. Tenho 10 anos, e já tem tanta coisa passando pela minha cabeça. Aprendo a História de um país que me parece tão distante. Tal país, de acordo com alguns, nunca será o meu. Nos livros, quase não tem nada sobre o lugar de onde venho. Com meus colegas de escola, falamos crioulo em voz baixa. Paskèyo di noukréyòlsébavyénègkipafèlékòl[1]. Aprendo a história dos grandes homens deste país distante, sabendo que para mim será muito difícil trilhar o mesmo caminho que eles. Dizem que minha cor seria um freio para eu avançar na vida. Há dois meses bati asas rumo à metrópole para estudar nos bancos da escola de lá. Estou com 20 anos e só o que me incomoda é a estranha sensação de ser um filho ilegítimo desta pátria mãe, da qual eu me lembro de ter aprendido tanto sobre. E em contra-partida, parece fazer parte de uma história que nos lê. Desprezo ? Teria faltado franqueza no que me foi ensinado, já que me dizem : saibas de onde vens, a fim de teres certeza para onde vais… Hoje, mesmo que ainda reste muito a ser feito, consigo ver um pouco mais claramente. Digo-me : se quero avançar, não posso viver do passado, apesar de terem tentado apagá-lo. Hoje, tenho orgulho do que sou, o passado ficou para trás, mas não cairá jamais no esquecimento, mesmo que as coisas tenham mudado graças às lutas travadas, o caminho foi traçado, a luta está apenas começando, sékréyòl ka palé fransé[2]... »[3]

A música costuma ter melhor desempenho do que qualquer texto teórico! E.sy Kennenga é um cantor francês da Martinica. No entanto, E.sy poderia ser mexicano, peruano, panamenho, cubano, espanhol, português, italiano, senegalês, togolês, gabonês..., pois sua música testemunho-reivindicação, fala sobre o que sente a grande maioria dos Afro-caribenhos, Afro-mexicanos, Afro-peruanos, Europeus « de origem » africana, Africanos… ao abrir um livro escolar, que seja de História, de espanhol, de inglês, de matemática, de tecnologia… : Uma relação de esquizofrenia com a nação (DUBOIS 2007, N’DEYE 2008), o que significa ter a consciência de existir como afro/africano numa sociedade que nega- oculta-escamota-despreza (sorrateiramente) tal existência. É preciso desenvolver subterfúgios, desvios, uma certa dose de alienação permitida ou ressentida. De qualquer forma, assim como E.sy Kennenga, é preciso resistir, resistências múltiplas e variadas para apesar de tudo continuar a avançar… Mas o gosto amargo de ser « um filho ilegítimo » e a impressão de « sentir um treco de louco » perduram, pois « uma parte da minha história de repente me parece nebulosa, tenho a impressão de que não me disseram tudo, que me esconderam uma grande parte da minha história »[4]… Para os africanos, mesmo que não haja forçosamente esta relação esquizofrénica, há o sentimento de se viver com uma organização de pensamento importada das antigas metrópoles, uma herança colonial sempre presente.

Mesmo que haja diferenças de perspectivas entre a África e as populações de descendência africana, elas continuam vinculadas pelos mesmos paradigmas coloniais herdados de 1492 : colonialidade do ser, do saber e do poder.

Nosso colóquio tem a assumida pretensão de reverter estes paradigmas da colonialidade. Invertê-los numa perspectiva afro-descolonial, ou seja : integrar as leituras teóricas dos estudos descoloniais a partir de posicionamentos africanos e afrodiaspóricos. Para as Caraíbas e as Américas adotar-se-á uma grade de leitura transatlântica afrodiaspórica, levando-se em consideração a metodologia e a teoria da transversalidade dos fenômenos, das práticas sociais e culturais oriundas das sociedades afro-latino-americanas com demais fenômenos vindos de contextos africanos e europeus ; ambos marcados pelo Tráfico, pela Escravidão, pela Colonização e por suas consequências na construção das sociedades contemporâneas. Para o continente africano, o intuito é de se desfazer dos hábitos mentais coloniais através de uma proposta de leituras dos fenômenos sócio-históricos a partir das realidades africanas : das ambiguidades no exercício da justiça até práticas não-comerciais, perpassando pelas artes tradicionais e pelos multilinguismos, diversas dimensões do social africano capazes de contribuir na crítica da modernidade europeocentrada evidenciando assim ; semelhanças « mágicas e críticas » com a afro-diáspora. Mais uma vez, estes dois espaços complementam-se e unem-se na « passagem do meio » (DESLAURIERS 2000). Manuais escolares africanos poderiam ser elaborados sem levar em conta a afro-diáspora ? E inversamente, manuais escolares americanos e caribenhos poderiam ser escritos ignorando-se uma história da África ?

A « aposta melancólica » (BENSAÏD 1997) do nosso colóquio é de conseguir construir uma genealogia reconectada entre os mais diversos espaço-tempo, reinserindo todas as Histórias numa História pluriversal (DUSSEL 1994, 2005) da Humanidade, na qual todos os componentes são representados por seu justo valor.

Visão pedagógica, temáticas

A fim que algo de concreto surja deste encontro, nosso colóquio propõe-se ser um espaço de real diálogo entre prática e teoria. Além disso, um dos objetivos enunciados é o de criar uma base adequada para a elaboração de manuais escolares, nos quais as populações de descendência africana e africanas passem a ser representadas por seu justo valor. Conscientes das dificuldades que isto implica, fica evidente que para atingirmos um público maior, primeiramente teremos que desenvolver suportes digitais. A fim de atingirmos nosso objetivo, ao término do colóquio será elaborado um plano de trabalho a médio prazo.

No que diz respeito ao enfoque pedagógico, serão privilegiadas intervenções sob a forma de oficinas colaborativas : oficinas nas quais o tema abordado será apresentado por um participante e em seguida, será debatido coletivamente para que cada um possa enriquecer as reflexões prático-teóricas. Nenhuma intervenção deve ser lida, permitindo assim que cada participante se reaproprie de seu respectivo conteúdo a fim de se obter uma colaboração coletiva. Dentro desta ótica, o resultado final de todas as apresentações será obtido ao fim da cada debate. O tempo de apresentação é de 30 minutos, seguidos de uma troca de colaborações de 1 hora e para encerrar; 15 minutos para uma avaliação coletiva das discussões. Tal avaliação deverá ir além da apresentação inicial e terá como objetivo levantar pistas capazes de contribuir na elaboração de novos manuais de ensino.

[1]Porque nos disseram que o crioulo é para os negros velhos que não frequentaram a escola.

[2]É o crioulo que fala francês.

[3] E.sy Kennenga « Un truc de fou » (Um treco de louco) https://www.youtube.com/watch?v=m6DaDuGshpE

[4]Refrão da música E.sy kennenga. « Un truc de fou » (Uma coisa de louco)

Exemplo de oficina colaborativa

A representação de pessoas de descendência africana nos manuais escolares de ensino de espanhol.

  1. Apresentação sintética da situação da questão
  2. Estudo de duas ou três sequências de manuais escolares. Análise crítica
  3. Avaliação coletiva : proposta de pistas de novas sequências que incluam suportes afro

Lembramos que as reflexões práticas devem ser acompanhadas de reflexões teóricas. Logo, no período da manhã, estão previstas sessões plenárias de reflexões epistemológicas sobre a temática do colóquio (manuais escolares e perspectivas afro-descoloniais)

Ao fim de cada dia, será elaborado um relatório de todas as oficinas. Cada oficina deverá nomear um porta-voz responsável por seu respectivo relatório.

  • A última tarde do colóquio será consagrada à elaboração do plano de trabalho para a criação dos manuais escolares.
  • Em cada área, criação de uma equipe encarregada de pensar sobre a elaboração de um manual específico e tricontinental.
  • Identificar os grandes temas que servirão como pontos comuns nos manuais
  • Fixar um cronograma de reuniões para cada equipe

O colóquio é aberto ao mundo acadêmico e científico, mas não exclui os que praticam a pluriversalidade cultural do mundo artístico e associativo.

Informações práticas

Local : Universidade Gaston Berger, Saint Louis, Senegal, Departamento de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos / Departamento de Língua Espanhola e Civilizações Hispânicas

Datas: De 02 de maio até 06 de maio de 2017

Acomodação: 

  • Hotel Maison Rose, Hotel Le Résidence (60 euros/35 000 CFA/a diária)
  • Albergue (15 euros/10 000 CFA/ a diária)
  • Alojamento em casa de família (11 euros/7 500 CFA/ a diária)

Alimentação: Restaurante universitário

Línguas : Todas as línguas passíveis de tradução

Envio das Contribuições

  • Todas as propostas de contribuição deverão ser enviadas no mais tardar até o dia 01 de março de 2017. (e-mail: afrodecolonial@gmail.com)

  • O texto das propostas não deve ultrapassar 500 palavras.
  • Todas as propostas de contribuição apresentarão um título, uma bibliografia, a modalidade de participação escolhida (oficina colaborativa ou reflexões epistemológicas), uma lista de palavras-chave e um breve CV do autor ou dos autores da contribuição.
  • As respostas relacionadas às contribuições aceitas serão enviadas aos autores até o dia 15 de março 2017.
  • Todas as comunicações poderão ser objeto de uma publicação posterior (documentos digitalizados e projetos de publicação científica em colaboração com a revista Revista de Estudios Decoloniales).

Comitê de organização

  • NdioroSOW(Hispanista, Université Gaston Berger, Senegal)
  • Véronique Solange OKOME-BEKA(Hispanista, ENS, Gabão)
  • MbareNGOM (Hispanista, Morgan State University, USA)
  • Clément AKASSI ANIMAN(Hispanista, Howard University, USA)
  • Paul MVENGOU CRUZMERINO (Antropólogo, Université Omar Bongo, Gabão)
  • Djidiack FAYE (Hispanista, Université Gaston Berger, Senegal)
  • Gustave Voltaire DIOUSSE (Hispanista, Université Gaston Berger, Senegal)
  • Ndeye Khady DIOP (Hispanista, Université Gaston Berger, Senegal)
  • MameCouna MBAYE ASSOUAN (Hispanista, Université Gaston Berger, Senegal)
  • Adam FAYE NDIAYE (Hispanista, Université Gaston Berger, Senegal)
  • Alba GARCIA RODRIGUEZ (Hispanista, Université Gaston Berger, Senegal)
  • Cheikh GUEYE (Hispanista, Université Gaston Berger, Senegal)
  • Alioune Badara THIAM (Hispanista, Université Gaston Berger, Senegal)
  • Kalidou SY (Hispanista, Université Gaston Berger, Senegal)
  • Jean Marie NGOM (Hispanista, Association des Professeurs d’Espagnol du Senegal)
  • Bégong Bodoli BETINA (Hispanista, Université Gaston Berger, Senegal)
  • Mahanta KEBE (Hispanista, Université Cheikh Anta DIOP de Dakar, Senegal)
  • Mor Penda DIONGUE (Hispanista, Université Gaston Berger, Senegal)
  • Aly SAMBOU(Hispanista, Université Gaston Berger, Senegal)
  • Sébastien LEFEVRE(Hispanista, Paris Ouest Nanterre la Défense França, Université Gaston Berger, Senegal)

Comitê científico

  • Javier SERRANO(Instituto Cervantes, Nairobi, Quênia)
  • Joanna BOAMPONG(Legon University, Accra, Gana)
  • Armando ENGONGA (Universidad Nacional de Guinea Ecuatorial)
  • Daniel GARCÉS ARANGON (Universidad del Cauca Popayán, Colômbia)
  • Willam MINA ARAGON(Universidad del Cauca Popayán, Colômbia)
  • Justo BOLEKIA BOLEKA (Universidad de Salamanca, Espanha)
  • Landry-Wildrid MIAMPIKA (Université Alcalá de Henares)
  • Pierre Paulin ONANA ATOUBA (Université de Yaoundé, Camarões)
  • Mbol NANG (Université de Yaoundé, Camarões)
  • Jacint CREUS(Universidad de Barcelona)
  • Dorothy ODARTEY-WELLINGTON (Université de Guelth, Canadá)
  • Sosthène ONOMA ABENA (Université de Yaoundé, Camarões)
  • Begong Bodoli BETINA (Université Gaston Berger de Saint-Louis, Senegal)
  • Victorien LAVOU ZOUNGBO (Université de Perpignan, França)
  • Nzachée NDOUMIBISSI(Université CheikhAnta DIOP de Dakar, Senegal)
  • Milka Valentin IMBERT (Université Antilles Guyane, França)
  • Mireille FANON-MENDES FRANCE (Responsável Décennie Afrodescendante 2014-2024)
  • Ndiogou FAYE, (Inspetor geral da Educação Nacional, Ministério da Educação Nacional, Senegal)
  • Alejandra NTUTUMU (Potopoto, Cuentos infantiles africanos, Espanha)
  • Antoinette TORRES SOLER (Afroféminas, Espanha)
  • Belinda SALMERON (Ativista Movimento Associativo Afro, Espanha)
  • Juan Tomás ÁVILA LAUREL (Escritor, Guiné Equatorial, Espanha)
  • Rafael PEREACHALÁ ALUMA (Université de Cali)
  • Inongo MAKOMÉ (Escritor, Camarões, Espanha)
  • Eugenio NKOGO ONDO (Filósofo, escritor, criador da nova corente de pensamento radical, Espanha, Guiné Equatorial)
  • Lola BALLESTEROS PÀEZ (Pesquisadora independente, México)
  • Wilmer VILLA (Universidad Francisco José de Caldas, Colômbia)
  • Mireille FANON MENDES-FRANCE (Décennie afrodescendante 2014-2024)
  • Ramón GROSFOGUEL (Berkeley University)
  • Cristina DÍAZ PÉREZ (Pesquisadora independente, México)
  • Henri MAGUEMATI WAGBOU (Université Nacional de Colombia)
  • Guy MBUYI KABUNDA (Université Autonome de Madrid)
  • Ndioro SOW (Université Gaston Berger, Senegal)
  • Véronique Solange OKOME-BEKA (ENS, Gabão)
  • Mbaré NGOM (Morgan State University, USA)
  • Clément AKASSI ANIMAN (Howard University, USA)
  • Paul MVENGOU CRUZMERINO (Université Omar Bongo, Gabão)
  • Sébastien LEFEVRE (Université Paris Ouest Nanterre la Défense, França, Université Gaston Berger, Senegal)

Locais

  • Saint-Louis, Senegal

Datas

  • quarta, 01 de março de 2017

Ficheiros anexos

Palavras-chave

  • afrodescendant, manuel scolaire, représentation, perspective afrodécoloniale

Contactos

  • Sébastien Lefèvre
    courriel : patacune [at] gmail [dot] com

Fonte da informação

  • Sébastien Lefèvre
    courriel : patacune [at] gmail [dot] com

Para citar este anúncio

« Représentations des Africains et personnes d’ascendance africaine dans les manuels scolaires », Colóquio, Calenda, Publicado quarta, 07 de setembro de 2016, https://calenda.org/376694

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