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Bataille en Amérique Latine

Revue « Cahiers Bataille », n°6

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Publicado terça, 25 de maio de 2021 por João Fernandes

Resumo

O sexto número desta revista  será dedicado ao interesse de Georges Bataille (1897-1962) pelas civilizações pré-colombianas e, de maneira mais geral, pelos mundos hispanófono e lusófono, assim como à recepção e à atual influência de seus escritos nas diferentes áreas geográficas do continente latino-americano, desde o norte mexicano ao sul argentino e chileno, passando pelo Brasil.

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Argumento

O artigo “A América desaparecida”, publicado em 1928 no número consagrado à arte pré-colombiana da revista La République des Lettres des Sciences et des Arts, é talvez o primeiro texto de Bataille em que se cristaliza o seu gosto pelo que assusta a sensibilidade e desorienta o pensamento. Ali também se anunciam temas que vão incessantemente ocupá-lo: a morte, o sacrifício, o sagrado, a violência, o horror, o riso, a perda, o dom, o excesso etc. Seria então um exagero ver em “A América desaparecida” um preâmbulo de “A Parte maldita” (1949), livro magistral que o autor publicaria vinte anos mais tarde? Ou uma espécie de introdução ao que ele desenvolverá de maneira mais especulativa em “Teoria da religião” (1948)? Não poderia também a narrativa “História do olho”, publicada no mesmo ano de 1928, apresentar-se como o seu equivalente ficcional?

Ao longo do século XX, foram inúmeros os laços entre a América latina e a Europa – em particular, com a França e a Espanha. São testemunhas desse interesse as viagens ao México realizadas por André Breton, Benjamin Péret ou, antes da Segunda Guerra, por Antonin Artaud, ao Equador e ao Peru por Henri Michaux, ao Brasil por Blaise Cendrars ou Claude Lévi-Strauss. De modo recíproco, é também considerável a presença na França de latino-americanos tais como César Moro, Roberto Matta, Leonor Fini, Wifredo Lam, Oswald de Andrade, Maria Martins, entre muitos outros.

Bataille, contudo, jamais cruzou as fronteiras da Europa ocidental, como também jamais aderiu ao grupo surrealista. A presença e a influência de seus escritos nos países latino-americanos, portanto, nada têm de evidente. Ainda assim, a revista “DYN”, fundada em 1942 no México por Wolfgang Paalen, ou a difusão do termo “real maravilhoso”, impulsionada por Alejo Carpentier (um dos signatários do panfleto “Um cadáver”, escrito por Bataille em 1930 contra Breton) no intuito de libertar a literatura hispano-americana da influência surrealista, parecem ser projetos que já na época estavam próximos do espírito contestador de Bataille.

Mas o que há disso ainda hoje? Será que podemos falar de uma influência direta de Bataille em movimentos ou correntes de pensamento dos países da América latina? No Brasil, por exemplo, sua obra conheceu um renovado interesse a partir de 2010 com novas traduções de grandes clássicos (O Erotismo, A Experiência interior, A Parte maldita, A Literatura e o mal...), mas também com a tradução de textos inéditos (O culpado, Sobre Nietzsche, Teoria da religião, os textos para a revista Documents), algo que certamente pode encorajar novas interfaces de pesquisa – pontos de contato e pontos de fuga –, sobretudo em torno das etnografias ameríndias atuais.

A ideia de realizar um número temático dedicado à recepção da obra do autor de “A América desaparecida” sobre o continente latino-americano vem do desejo de compreender como os seus escritos foram e são recebidos, no passado e na atualidade, em países e nas mais variadas áreas geográficas da América hispanófona e lusófona – que também poderíamos chamar de América disparatada, visto que novas demarcações podem ser nela estabelecidas (territoriais, é claro, mas também simbólicas e cósmicas).

Esse desejo é também o de construir pontes entre os dois continentes e de, com isso, abrir um campo de encontro e de confrontação com diversos pontos de vista, sensibilidades, métodos, abordagens etc. que permitam melhor conhecer e questionar o pensamento de Bataille.

Assim, gostaríamos de convidar tradutores, editores, poetas, artistas, pesquisadores de diferentes disciplinas (filosofia, estudos literários, história, história da arte, antropologia, sociologia, estudos políticos, psicanálise etc.) de todos os países da América latina – do México ao Chile e à Argentina, passando pelas Antilhas, pelo Caribe e pelo Brasil – para refletir sobre a gênese e a evolução da recepção dos escritos de Bataille no século 20 e 21 em seus próprios países.

Eixos temáticos possíveis

  • As temáticas, os conceitos, os escritos de Bataille, os períodos na sua trajetória intelectual que atualmente predominam – e/ou que anteriormente predominaram – na leitura de sua obra num país ou numa região específica da América latina.
  • As atualizações mais recentes do pensamento de Bataille na América latina – análises críticas, textos, teorias, correntes de pensamento etc. – levando em consideração as mudanças de época.
  • As figuras da cena artística, poética e literária latino-americana, de ontem e de hoje, que criam e trabalham em sintonia com o pensamento batailliano, sem necessariamente nele se inspirar de maneira explícita; as relações, pontos comuns, divergências que é possível observar entre elas.
  • A interlocução possível entre Bataille e o espaço mágico dos lugares de culto das religiões de matriz africana – no Caribe, na Colômbia e no Brasil –, onde estão em pauta o erotismo, o êxtase, o transe e o sacrifício (cf., por exemplo, o trabalho de um Roger Bastide ou de um Pierre Verger).
  • O espaço da floresta, que possibilita a comunicação das nações e no qual se estabelecem conexões entre o devir-animal, tão caro a Bataille, e o devir-vegetal, muito presente nas cosmogonias ameríndias.

Modalidades de submissão e de avaliaçãO

Os artigos devem abordar a questão da recepção dos escritos de Georges Bataille nas diferentes áreas geográficas do continente latino-americano.

Os autores estão livres tanto para definir o assunto de que desejam tratar quanto para escolher suas abordagens.

As propostas de artigo devem ser redigidas em francês e conter cerca de 20 linhas, acompanhadas de uma biografia e bibliografia do autor e de eventuais indicações iconográficas. Elas devem ser enviadas aos seguintes endereços de e-mail: mjdemoraes@gmail.com e monika.marczuk@gmail.com

antes do dia 31 de agosto de 2021.

A entrega da versão final dos artigos está prevista para o dia 31 de maio de 2022.

Os artigos deverão ser escritos em francês

Normas de redação

Os artigos devem conter cerca de 35.000 caracteres (+/- 10%) com espaços, compreendidos em 10 a 12 páginas.Entrelinha: simples; margens: 2,5 cm; fontes: Times New Roman; tamanho: 12.Formato do documento: Word (.doc, .docx); cujo nome de arquivo deve ser o título do artigo.

Os artigos deverão ser avaliados às cegas por pares compostos pelos membros do conselho da revista.

URL: http://editionslescahiers.fr/les-cahiers/

Coordenação do número

  • Marcelo Jacques de Moraes - professeur de littérature française à l'Université Fédérale de Rio de Janeiro
  • Monika Marczuk – co-directrice de la rédaction des Cahiers Bataille

Datas

  • terça, 31 de agosto de 2021

Palavras-chave

  • Georges Bataille, Amérique latine, Littérature, Philosophie, Anthropologie, Critique et interprétation

Contactos

  • Monika Marczuk
    courriel : mk [dot] marczuk [at] gmail [dot] com

Urls de referência

Fonte da informação

  • Monika Marczuk
    courriel : mk [dot] marczuk [at] gmail [dot] com

Para citar este anúncio

« Bataille en Amérique Latine », Chamada de trabalhos, Calenda, Publicado terça, 25 de maio de 2021, https://calenda.org/872954

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