Calenda - The calendar for arts, humanities and social sciences
Published on Tuesday, January 25, 2022
Abstract
Este número da eLyra procura interrogar e re-perspectivar o poema em prosa e/ou a obra em prosa poética a partir de investigações centradas na voz, sem limites pré-determinados no que toca a épocas, línguas ou tradições literárias. Este enfoque na noção de voz pretende dar espaço a estudos que reconsiderem o lugar-comum do choque formal associado ao poema em prosa à luz de novos entendimentos do problema de expressão que ele coloca. Associado tanto ao narrador quanto ao sujeito lírico, ou dissociado de ambos, o poema em prosa possibilita interrogações específicas, pelo viés da sua estruturação narrativa ou da sua dimensão lírica, em relação a quem ou ao que nele fala.
Ce numéro de la revue eLyra cherche à interroger et à remettre en perspective le poème en prose et / ou l’œuvre en prose poétique à partir de recherches centrées sur la notion de voix, et cela sans limites prédéterminées en matière d’époque, langues ou traditions littéraires. Cette approche, basée sur la voix, prétend donner de l’espace à des études qui requestionneront le lieu commun du choc formel associé au poème en prose à la lumière de nouvelles compréhensions du problème d’expression que ce genre pose. Étant associé autant au narrateur qu’au sujet lyrique, ou dissocié des deux, le poème en prose rend possible des interrogations spécifiques, par le biais de sa structure narrative ou de sa dimension lyrique, sur qui ou quoi y a la parole.
Announcement
eLyra, n.º 19 (junho de 2022)
Orgs.
- Rita Novas Miranda (Universidade Paris Nanterre – ILC)
- Amândio Reis (Universidade de Lisboa)
Apresentação
Enquanto género que vive na contiguidade das formas distintas da prosa e da poesia, associadas ainda a diferentes modos do discurso literário (o narrativo e o lírico) tradicionalmente entendidos como contrastantes, o poema em prosa, bem como a prosa poética, parece constituir um inultrapassável paradoxo conceptual, insistentemente redefinido pela crítica e pela teoria literárias como pseudo-género em estado de permanente reformulação e assente na hibridez, na anomalia ou na “exploração metonímica da incompletude” (Atherton e Hetherington 2016: 22). Em suma, a forma do poema em prosa parece solicitar certa ideia de deformidade como característica fundadora e fundamental, sugerindo que se trata de um objecto constitutivamente ou potencialmente disruptivo, experimental e inconforme, que oscila entre dois pólos, o da “anarquia destrutiva” e o da “organização artística” (Bernard 1978: 444).
Este número da eLyra procura interrogar e re-perspectivar o poema em prosa e/ou a obra em prosa poética a partir de investigações centradas na voz, sem limites pré-determinados no que toca a épocas, línguas ou tradições literárias. Este enfoque na noção de voz pretende dar espaço a estudos que reconsiderem o lugar-comum do choque formal associado ao poema em prosa à luz de novos entendimentos do problema de expressão que ele coloca. Associado tanto ao narrador quanto ao sujeito lírico, ou dissociado de ambos, o poema em prosa possibilita interrogações específicas, pelo viés da sua estruturação narrativa ou da sua dimensão lírica, em relação a quem ou ao que nele fala (Kjerkegaard 2014: 188). É por esta razão que ao explorar também o “momento elástico”, que configura a sua própria temporalidade (Munden 2017), ou seja, a sua inscrição de histórias e a sua inscrição na História, este género tem sido um lugar privilegiado na manifestação de subjectividades alternativas e periféricas (feministas, queer, pós-coloniais), e, ainda, subjectividades não-humanas (o objecto, a coisa, o animal).
Procuramos, assim, a partir da ideia de narrativa como fricção no seio da poesia, bem como da ideia de lirismo como fricção no seio da prosa, investigações da correlação entre voz e poema em prosa, ou prosa poética, em dois sentidos: 1. as vozes do poema em prosa (i.e. a multiplicidade de configurações, históricas e actuais, deste género ou de objectos de arte que utilizam a sua designação) e 2. as vozes no poema em prosa (i.e. a multiplicidade de sujeitos aos quais, por meio deste género híbrido, se tem dado a palavra).
Indicam-se alguns tópicos possíveis, mas não exclusivos, de reflexão:
- convergências e/ou divergências entre poesia em prosa e prosa poética;
- materialidades e media do poema em prosa: a escrita, a oralidade, o digital;
- o poema e o livro/a revista/o suporte, ou textos e contextos do poema em prosa;
- questões de mercado literário e categorização pragmática e teórica;
- o poema em prosa no contexto da eco-poesia, da ecocrítica e dos estudos do animal;
- a tensão com outras formas breves, como o poema, o conto, a canção ou a curta-metragem;
- o poema em prosa entre estudos de género e teoria dos géneros;
- as vozes minoritárias, queer, feministas ou incategorizáveis do poema em prosa;
- o poema em prosa e as poéticas modernistas e de vanguarda;
- o lugar do poema em prosa na narratologia tradicional e nos actuais estudos de narrativa.
Submissão de propostas
Para este no 19 da eLyra, aceitamos artigos inéditos – em português, francês ou inglês
até ao dia 15 de Maio de 2022.
Os artigos devem ser enviados para o email: revistaelyra@gmail.com.
Todos os artigos devem respeitar rigorosamente as normas de publicação da revista eLyra expostas na secção “Submissões” sob pena de serem preliminarmente excluídos: <https://www.elyra.org/index.php/elyra/about/submissions>.
Estes serão submetidos a um processo de revisão cega por pares.
Referências
VV. (2004), Forma Breve, no 2: <https://proa.ua.pt/index.php/formabreve/issue/view/392>.
Atherton, Cassandra / Paul Hetherington (2016), “Like a Porcupine or Hedgehog? The Prose Poem as Post-Romantic Fragment”, Creative Approaches to Research, vol. 9, no 1, 19-38.
Berardinelli, Alfonso (2003), “Os Confins da Poesia”, trad. de Osvaldo Manuel Silvestre, Inimigo Rumor, nº 14, 138-145.
Bernard, Suzanne (1978), Le Poème en prose de Baudelaire jusqu’à nos jours, Paris, Nizet.
Guimarães, Regina (org.) (2020), Embriagai-vos. Antologia de Poemas em Prosa de Autores Franceses, trad. de Regina Guimarães, pref. e notas biográficas de Saguenail, Porto, Flop.
Kjerkegaard, Stefan (2014), “In the Waiting Room: Narrative in the Autobiographical Lyric Poem, Or Beginning to Think about Lyric Poetry with Narratology”, Narrative, vol. 22, no 2, 185-202.
Martelo, Rosa Maria (2014), “Os Koans Revisitados (Ou de como Escrever entre Poesia e Prosa)”, eLyra, no 4, 7-20: <https://www.elyra.org/index.php/elyra/article/view/55>.
Munden, Paul (2017), “Playing with Time: Prose Poetry and the Elastic Moment”, TEXT, no 46, 1-13.
Varela, Ângela (2012), Configurações do Poema em Prosa. De “Notas Marginais” de Eça ao Livro do Desassossego de Pessoa, Lisboa, IN-CM.
Orgs.
- Rita Novas Miranda (Université Paris Nanterre – ILC)
- Amândio Reis (Université de Lisbonne)
Argumentaire
Le poème en prose est un genre qui vit dans la contiguïté des formes distinctes de la prose et de la poésie, elles-mêmes associées à différents modes du discours littéraire traditionnellement vus comme contrastants : le narratif et le lyrique. Le poème en prose (et nous pouvons penser également à la prose poétique) semble ainsi constituer un insurmontable paradoxe conceptuel : il a été redéfini de façon insistante par la critique et par la théorie littéraires comme un pseudo-genre en reformulation permanente qui repose sur l’hybridité, l’anomalie, voire « l’exploration métonymique de l’incomplétude »[1]. En somme, la forme du poème en prose semble faire appel à une certaine idée de difformité comme caractéristique fondatrice et fondamentale, suggérant qu’il s’agit d’un objet constitutivement ou potentiellement disruptif, expérimental et non conforme, qui oscille entre « l’anarchie destructrice » et « l’art organisateur »[2].
Ce numéro de la revue eLyra cherche à interroger et à remettre en perspective le poème en prose et / ou l’œuvre en prose poétique à partir de recherches centrées sur la notion de voix, et cela sans limites prédéterminées en matière d’époque, langues ou traditions littéraires. Cette approche, basée sur la voix, prétend donner de l’espace à des études qui requestionneront le lieu commun du choc formel associé au poème en prose à la lumière de nouvelles compréhensions du problème d’expression que ce genre pose. Étant associé autant au narrateur qu’au sujet lyrique, ou dissocié des deux, le poème en prose rend possible des interrogations spécifiques, par le biais de sa structure narrative ou de sa dimension lyrique, sur qui ou quoi y a la parole[3]. À cet égard, ce genre est un lieu privilégié de la manifestation de subjectivités alternatives et périphériques (féministes, queer, postcoloniales), voire de subjectivités non-humaines (l’objet, la chose, l’animal), puisque le poème en prose explore par définition sa propre temporalité, c’est-à-dire son « moment élastique »[4], son inscription d’histoires et son inscription dans l’Histoire.
En partant de l’idée de récit comme friction au sein de la poésie bien comme celle de lyrisme comme friction au sein de la prose, nous cherchons donc des propositions qui mettent en valeur la corrélation entre voix et poème en prose, ou prose poétique, dans deux sens : 1. les voix du poème en prose (ex. la multiplicité de configurations historiques et actuelles de ce genre ou des objets d’art qui utilisent sa dénomination) et 2. les voix dans le poème en prose (ex. la multiplicité de sujets – personnes – qui ont acquis la parole par moyen de ce genre hybride).
Quelques pistes de réflexion non-exhaustives :
- convergences et / ou divergences entre poésie et prose poétique ;
- matérialités et media du poème en prose : l’écriture, l’oralité, le numérique ;
- le poème et le livre / la revue / le support, ou les textes et les contextes du poème en prose ;
- questions liées au marché de la littérature et les catégories pragmatiques et théoriques ;
- le poème en prose dans le contexte de l’éco-poésie, de l’éco-critique et des études animales ; — la tension entre le poème en prose et autres formes brèves (comme le poème, le conte, la chanson ou le court-métrage) ;
- le poème en prose entre les études de genre et la théorie des genres ;
- les voix minoritaires, queer, féministes ou sans catégorie définie du poème en prose ;
- le poème en prose et les poétiques modernistes et d’avant-garde ;
- la place du poème en prose dans la narratologie traditionnelle et dans les nouvelles théories de la narration.
Modalités de contribution
Les articles inédits – en portugais, français ou anglais – seront reçus à l’adresse mail revistaelyra@gmail.com
jusqu’au 15 mai 2022.
Tous les articles doivent suivre rigoureusement les consignes de publication de la revue eLyra disponibles dans la section « Submissões » / « Submissions » sous peine d’être préalablement exclus. Les articles seront soumis à une procédure d’évaluation aveugle par paires.
Références bibliographiques
VV., Forma Breve, no 2, 2004: <https://proa.ua.pt/index.php/formabreve/issue/view/392>.
Atherton, Cassandra et Paul Hetherington, “Like a Porcupine or Hedgehog? The Prose Poem as Post-Romantic Fragment”, Creative Approaches to Research, vol. 9, no 1, 2016, 19-38.
Berardinelli, Alfonso, “Os Confins da Poesia”, trad. de Osvaldo Manuel Silvestre, Inimigo Rumor, nº 14, 2003, 138-145.
Bernard, Suzanne, Le Poème en prose de Baudelaire jusqu’à nos jours, Paris, Nizet, 1978.
Guimarães, Regina (org.), Embriagai-vos. Antologia de Poemas em Prosa de Autores Franceses, trad. de Regina Guimarães, préf. et notes biographiques de Saguenail, Porto, Flop, 2020.
Kjerkegaard, Stefan, “In the Waiting Room: Narrative in the Autobiographical Lyric Poem, Or Beginning to Think about Lyric Poetry with Narratology”, Narrative, vol. 22, no 2, 2014, 185-202. Martelo, Rosa Maria, “Os Koans Revisitados (Ou de como Escrever entre Poesia e Prosa)”, eLyra, no 4, 7-20, 2014: <https://www.elyra.org/index.php/elyra/article/view/55>.
Munden, Paul, “Playing with Time: Prose Poetry and the Elastic Moment”, TEXT, no 46, 2017, 1-
13.
Varela, Ângela, Configurações do Poema em Prosa. De “Notas Marginais” de Eça ao Livro do Desassossego de Pessoa, Lisbonne, IN-CM, 2012.
Notes
[1] C. Atherton et P. Hetherington, “Like a Porcupine or Hedgehog? The Prose Poem as Post-Romantic Fragment”, Creative Approaches to Research, vol. 9, no 1, 2016, p. 22.
[2] S. Bernard, Le Poème en prose de Baudelaire jusqu’à nos jours, Paris, Nizet, 1978, p. 444.
[3] S. Kjerkegaard, “In the Waiting Room: Narrative in the Autobiographical Lyric Poem, Or Beginning to Think about Lyric Poetry with Narratology”, Narrative, vol. 22, no 2, 2014, p. 188.
[4] P. Munden, “Playing with Time: Prose Poetry and the Elastic Moment”, TEXT, no 46, 2017.
Subjects
- Modern (Main category)
- Mind and language > Language > Literature
- Periods > Modern > Twentieth century
- Periods > Modern > Twenty-first century
Date(s)
- Sunday, May 15, 2022
Attached files
Keywords
- poesia, poésie, prose
Contact(s)
- Rita Novas Miranda
courriel : revistaelyra [at] gmail [dot] com
Reference Urls
Information source
- Rita Novas Miranda
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To cite this announcement
« Voix du poème en prose », Call for papers, Calenda, Published on Tuesday, January 25, 2022, https://doi.org/10.58079/183t

